Para 2010

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Esperança

Mário Quintana

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...


TPM

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Reblogging Mayra (com tirinha do André Dahmer). Clique para aumentar.

Quem revisa amigo é

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Não sei se todo mundo que chega aqui ao Diário sabe que ele é escrito por duas amigas que, depois disso, são revisoras de texto em agência de propaganda.
Eu e a Sam (ou Tequila e Mel) nos conhecemos nos nossos primeiros empregos aqui de São Paulo. Sim, porque, além das milhares de coincidências que fazem com que as pessoas nos perguntem todo santo dia se somos irmãs, também somos criaturas vindas do interior e incapazes de pronunciar frases como "carne morta atrás da porta" sem entregar nossas origens.
Tudo começou na Energia, Young & Rubicam, um braço da Y&R que fazia o cocô do cavalo do bandido da publicidade. Passávamos noites revisando preço de azulejo e massa corrida. Mas era muito bom, tenho que confessar. Por vezes eu me peguei pensando que era isso que eu queria fazer da minha vida. E assim começou essa trajetória, há exatos 10 anos. Depois que a Sam saiu da Energia, fui trabalhar na Young & Rubicam mesmo, dentro da criação. Com a ajuda da Rita Corradi, VP da época, comecei a pegar alguns jobs como redatora também. Mas logo pintou uma vaga legal na Lowe, e então foi minha vez de mudar. Quem trabalhou na Lowe sabe: nunca houve uma agência como aquela. A verdadeira casa da mãe Joana era ali. E a gente trabalhava muuuuuito, mas ria muuuuuito também. Virávamos noite liberando anúncios de Renault, mas a fuleiragem era tanta, que acabava virando balada. Fiz ótimos amigos ali, que vou carregar para sempre no coração.
Bom, anos depois, se a Sam, a essa altura do campeonato, voltava para a Young, em São Caetano do Sul, tinha que acontecer comigo também. Fui chamada de volta para a sede de São Paulo, dessa vez comandada por Roberto Justus. Acho que essa Young foi o maior desafio da minha vida. Digo que quando completei 30 anos uma chave virou dentro de mim e tudo mudou. Enquanto me redescobria e alguns setores pessoais ruíam de vez, trabalhava feito louca e chegava chorando em casa. Definitivamente, eu odiei esse tempo. Não foi legal, mas hoje sei que não tinha a ver com o trabalho. Era eu mesmo.
Então mudei tudo. Mudei de casa. Mudei de corpo, mudei de trabalho. Virei redatora em uma agência menor. E por isso mesmo nunca deixei de revisar. Foram dois anos criando. Bem bacana, aprendi muito mesmo. Mas aprendi, inclusive, que redatora eu nasci. E que de vez em quando faz bem seguir seus instintos. Foi quando, numa tarde de maio, recebi duas propostas para voltar para a revisão. Duas. Seguidas. E então aceitei a da Africa, que é onde estou hoje. Ah, e dois meses depois o que aconteceu? Chamei a Sam para trabalhar aqui. Recomeçar qualquer coisa é sempre um ano-novo dentro de cada um de nós.

Bom, tudo isso foi mesmo para explicar como chegamos aqui. É que muita gente não conhece bem o trabalho de revisão em agência de propaganda e por isso vale a pena deixar algumas dicas.

  • Se você é daquelas pessoas que leem tudo o que passa pelas mãos, tipo rótulo de shampoo durante o banho, caixa de cereal matinal no café da manhã e texto legal do rodapé da promoção, we want you! Um revisor nato faz coleção de dicionário como a Sam ou de gramática como eu.
  • Não importa sua formação acadêmica. Para ser um bom revisor, você precisa mesmo é ter tido uma boa base de educação (acho que isso vale para muitas profissões). Não pode ter faltado na aula de análise sintática de forma alguma, que isso faculdade nenhuma ensina direito (e eu fiz Letras, hein?). Precisa lembrar de quem é o sujeito, o predicado, de como pontuar corretamente e o que é a crase de verdade. Não adianta muito ter feito uma monografia em linguística, porque no dia a dia você vai precisar mesmo é decidir em um espaço muito curto de tempo se usa próclise ou mesóclise e se uma oração é explicativa ou restritiva. Geralmente com gente gritando "cadê o anúncio?" e com o jornal rodando na gráfica.
  • Conhecer bem o que é publicidade é pré-requisito. Eu confesso que quando fui parar no meu primeiro emprego me perguntei por dias quem era Young e quem era Rubicam. Hoje reconheço um óculos de aro grosso a metros de distância e sei que promoção agora se chama ativação. Um curso rápido ajuda, mas nada como viver um tempinho dentro de uma agência de verdade (quer aprender pra valer? Comece em agência pequena, onde todo mundo faz tudo).
  • Revisor não lê. Conta letrinha.
  • Siga o professor Pasquale, o Novo Houaiss e a Academia Brasileira de Letras no Twitter. Se não sabe o que é Twitter, procure outra profissão.
  • Corra imediatamente atrás de um curso sobre o novo acordo ortográfico. Tá tarde, mas ainda dá tempo.
  • Você pode ser revisor, mas será também publicitário. Desista das regras mais sisudas da Língua Portuguesa, mas insista no que é certo. Lembre-se que a linguagem é coloquial, mas não precisa ser assassinada.
  • Não despreze a tecnologia. O revisor do Word é ótimo para pegar erros de digitação. Saiba usar os marcadores dele e do Adobe Professional também. E, de preferência, num Mac!
  • Conforme-se em trabalhar em horários estranhos, com gente esquisita e louca. Em pouco tempo você se torna uma delas.
Por fim, uma lista de livros obrigatórios e cursos interessantes:
Por fim, acabo de organizar aqui no blog alguns marcadores que você pode ver em formato cloud na coluna aqui ao lado. Chamei de capítulos e você encontra mais dicas no de Revisão.

E, para encerrar o post, nada como um exemplo ilustrado de onde o erro engana o olho até dos mais atentos revisores (em tempo: não fomos nós, ufa).

Cartaz da Oi na entrada do shopping Iguatemi. Achou o erro?

Inferno astral

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Hoje acordei ensolarada, a despeito da chuva que caía lá fora. Acho que um reflexo inusitado dos últimos acontecimentos que marcaram o comecinho desse período tenebroso chamado inferno astral.
O mais engraçado de tudo é que teve perrengue pra caramba. Claro, num ano medonho como 2009 se apresentou, não podia ser diferente. E a reclamação é geral. Com a tal da crise econômica, quantas outras crises não se instauraram dentro de nós?
Mas ao mesmo tempo, e o que tem verdadeiramente me deixado feliz, é fato de saber lidar com probleminhas e problemões.
Eu sempre fui uma pessoa exagerada. Chorona. Mas hoje uma ternura imensa me invade e não tenho mais vontade de gritar nem "debuiar" aos prantos quando uma coisa ruim me acontece. Dizem que é a tal maturidade. Hoje eu olho por todos os lados, paro, penso e fico procurando soluções que eu sei que existem. Sim, porque esta é uma verdade: existe sempre um jeito.
E no fim das contas não conheço ninguém que não tenha pessoas maravilhosas à sua volta. Eu tenho.

#poesiaday

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CONSOLO NA PRAIA

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o 'humour'?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.

Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

Carlos Drummond de Andrade

Epígrafe

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Em julho, recebi um comentário aqui no blog que precisou desse tempo todo para ser respondido. Porque ele foi verdadeiramente importante para mim.
Eu havia publicado um texto da Martha Medeiros, que você pode ler aqui. E ele começa com um verso de Nei Duclós:

Nenhuma pessoa é lugar de repouso.

Acontece que quando colocamos uma epígrafe em um texto é sempre bom tentar buscar não somente palavras que caibam no nosso texto, mas também o sentido daquilo tudo. E, às vezes, textos curtos ficam descontextualizados, mesmo que, aparentemente, façam todo o sentido.
O próprio Nei comentou no Diário, e por isso fiquei tão feliz. E aqui, finalmente, podemos saber com exatidão tudo o que ele quis dizer com as palavras que abriam o texto de Martha:

"O repouso do verso nao é a paz de espírito, a sintonia tranquila entre duas pessoas. O repouso do verso é a acomodação, a preguiça, a mesmice. Esse repouso é traiçoeiro. Portanto, nao caiam tanto na tentação de contrariar o verso, porque eu jamais quis dizer o que é atribuído ao poema. A poesia é um alerta para a imobilidade das relações amorosas e não uma celebração da irresponsabilidade. Digo isso porque essa interpretação é repetida dez bilhões de vezes sem que de chance ao autor e ao poema, de que o sentido seria outro. Ninguém se toca. Como pode? E será que as pessoas vão mudar a percepção depois dessa argumentação? Ou vai ficar por isso mesmo, numa insistência de dar dó? Abs. Nei Duclós."

Sim. Eu vejo claramente a diferença. Eu a sinto agora mesmo.
Obrigada, Nei.

Vovó aprovaria

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Minha avó já foi embora há alguns anos. Mas eu tenho certeza que ela aprovaria muita coisa no mundo de hoje. Ela era moderninha e todos os dias agradeço ter nascido em uma família que nunca tentou me colocar numa gaiola e que sempre me fez ver o mundo do tamanho que ele é e com todas as coisas que a ele pertencem.
Bom, estou falando tudo isso porque um dos filmes mais legais a que já assisti, esse do comercial de Havaianas, foi tirado do ar. Olha, acho que foi Deus que inventou a internet, para a gente poder ter acesso a tudo que o homem censura em Seu santo nome.

Rock'n'Blue

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Fui ontem ao Credicard Hall assistir à última apresentação da turnê do Blue Man Group em São Paulo. Acho que muita gente não sabe o quanto o show é rock'n'roll e tem gente até associando os caras à Tim (que grande sacada da marca, hein?), mas fiquei ainda mais curiosa para saber um pouco mais dos enigmáticos caras azuis que fazem um som muito bacana numa apresentação cheia de interatividade.

Começa antes de começar. Antes mesmo de os caras entrarem no palco, telões conversam com a plateia em busca de um megastar. O show tem esse nome, "How to be a megastar", e a partir daí o que se segue é uma aula de como deixar o povo de boca aberta com os efeitos, com a tecnologia, com o talento da banda inteira (o baterista é incrível) e afins. A premissa do espetáculo é despretensiosa: ensinar a fórmula perfeita para criar um verdadeiro show de rock, através de uma espécie de workshop, onde todos os clichês do gênero são desconstruídos de forma bem-humorada.

Para o Brasil os textos do telão foram adaptados para o português e não perdem em nada na tradução. Tem humor, tem bossa. Tem até os caras azuis tentando bater uma bola e tocando Roberto Carlos nos tubos de PVC. Uma prova do quanto estão antenados com o público e com o que acontece no mundo. Há referências do mundo do rock o tempo todo e sons da própria banda. Muita guitarra para quem gosta. Sons alternativos na medida. Enfim, um dos melhores shows que já assisti.

Ah, e como o intuito era saber um pouco mais do Blue Man Group, aí vai o resultado da minha pesquisa: o grupo começou nas ruas de Nova York, na década de 80, quando os três amigos Matt Goldman, Chris Wink e Phil Stanton chamavam a atenção do público e da crítica com seu humor cínico em cenas “visualmente desconcertantes e musicalmente poderosas”.

As performances do trio chamaram tanto a atenção, que a coisa toda virou franquia. O trio de homens azuis tem formação musical e de ator. “Temos aulas de bateria e também de atuação. Então, podemos selecionar um músico que não seja tão bom ator ou vice-versa”, explica Quin, a respeito da “equipe de Blue Man”, que já soma 60 homens azuis espalhados em apresentações mundo afora.

De artistas de rua a megastars do rock foram muitos anos e muito tubo de PVC surrado. Mas esse é o tipo da coisa que ninguém questiona se valeu a pena, porque simplesmente está na cara.



Clique aqui para assistir a mais um vídeo com trechos do show do Brasil.

Uma tragédia ainda maior

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Um verdadeiro tsunami assola o mercado publicitário por causa de uma campanha assinada (ou não) pela DM9 para o cliente (ou não) WWF.

As peças, filme e mídia impressa, trazem imagens das Torres Gêmeas do WTC sendo atacadas por muitos aviões e o texto "O tsunami matou 100 vezes mais pessoas do que o ataque do dia 11 de setembro".





A propaganda, como muitos sabem, vive da comparação e do exagero. Não é nada raro ver situações esdrúxulas servindo de referência para a vida real. É por meio do exagero mesmo que a gente consegue chamar a atenção e fazer parar para pensar.

Vendo os números, é claro que a gente é obrigada a concordar que uma coisa pode ter sido maior que a outra. O que não justifica, a meu ver, é reduzir as tragédias e as pessoas a números.

Não vou nem entrar no mérito da questão de dizer que se formos pensar racionalmente, temos que levar em conta que os Estados Unidos da era Bush não assinaram o protocolo de Kyoto, que os americanos só olham para o próprio umbigo e que estão matando muito mais gente ainda no Oriente Médio. Isso é discussão para mais de um blog. Mas também não vou entrar no mérito da atual modinha se ser antiamericano que o digníssimo ex-presidente lá de cima conseguiu para seu país.

O problema é que não se pode pensar tão racionalmente assim quando tanta gente morreu e o mundo ainda tenta esquecer os horrores criados pelo homem - e aqui não estou nem citando a nacionalidade. Ou vai dizer que não existe americano que separa seu lixo e faz campanha pela paz mundial? Ou que o cara lá do outro lado do mundo não joga papel na rua?

Sinceramente, não tenho a menor ideia se todas essas questões foram levantadas pelo pessoal que criou a campanha. É bem provável que sim. Pior ainda, é provável que a visão dos envolvidos tenha sido chamar ainda mais a atenção para a desgraça que se abateu sobre a cidade de Nova York naquele 11 de setembro. Tipo "foi horrível, mas podia ser pior, veja o que aconteceu na Ásia". Se pensarmos por esse lado, não é tão ofensivo assim, vá. Mas, desculpe, não acho criativo também. É apelação. E apoiada em pilares que ruiram junto com as Torres Gêmeas.

Mas o pior ainda está acontecendo. O mercado quer responsabilizar alguém pela grosseria. E ninguém quer ser o pai da criança que faz piada com o filho do vizinho doente.

Volta, Fafá!

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Para quem reclamava da Fafá de Belém cantando o Hino Nacional Brasileiro, a última versão fez a alegria de blogs e do Twitter na semana passada. Como se já não bastassem as anteriores.
A gente registra aqui a letra correta, se é que alguém ainda se lembra.

I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro desta flâmula
- Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


Composição: Francisco Manuel da Silva / Joaquim Osório Duque Estrada

Miss Simpatia

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Não sei se todo mundo que lê este blog me conhece pessoalmente. Mas sei que algumas pessoas que me conhecem passam de vez em quando por aqui.
E essas sabem que de vez em quando eu tenho um talento nato para ser a boazinha da turma. Sim, até meu nome é usado no diminutivo. Tudo bem que sou pequena, mas tenho certeza que não é só por isso. Eu realmente gosto do ser humano. Gosto de pessoas, gosto de conversar, e meu coração é um músculo imbecil o suficiente para se contorcer de pena de gente que nem sempre merece. Tá, só de escrever isso já me senti culpada o suficiente. Eu sou daquelas pessoas que sentem pena do bombom Caribe, abandonado da caixa porque ninguém gosta tanto assim dele. Eu choro de ver cachorro na rua e passo mal pela fome no mundo. Droga. Eu choro escrevendo no meu blog.
Mas o que se passa é que depois da famosa virada nos 30 anos de idade, quando senti que uma chave virou dentro de mim, tenho ficado perdida entre minha imagem e o que realmente sou.
É engraçado, eu não me sinto uma mulher de 30 anos que mora sozinha na cidade grande e com contas para pagar. Mas faço tudo isso.
Às vezes xingando, claro. Mas na maioria das vezes agradecendo por ter tomado - sempre - o caminho mais difícil.
Talvez eu seja a ovelha negra da família. Larguei o conforto de um lar estruturado para me jogar nas coisas em que acredito. Talvez alguém tenha orgulho de mim ("olha, ela é independente e antenada, tem um blog, tá no Twitter"). Talvez nem pensem que eu penso em tudo isso. Mas aos poucos também tenho procurado pensar menos e viver mais.
Bom, e tudo isso para dizer que fiquei muito tempo pensando nessa coisa de ser legal com todo mundo, a Miss Simpatia personificada mesmo. Sabe, a gente gasta muito latim com gente que nem percebe a nossa existência. Eu, por exemplo, tô aqui escrevendo no meu blog e sequer falei para a minha mãe hoje o quanto eu a amo. Não liguei para meu pai nem para meus irmãos no fim de semana. Mas respondi e-mails de pessoas que nunca vi.
Fico pensando em como vai ser quando eu estiver do outro lado. Aquele lado em que você sente que tudo parece mais importante e urgente do que o que realmente importa.

Good times, Lelê

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Até que enfim!

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Como diz o e-mail de boas-vindas, ninguém chega por acaso à Africa.







Chega por talento.




pra nós, amigas loucas

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Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.

A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.

Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.

Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.

Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.

Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que “normalidade” é uma ilusão imbecil e estéril.

Oscar Wilde

Plano B

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Todo mundo tem, ou deveria ter, um plano B na vida.
Aquele em que quando tudo dá errado se transforma na sua salvação.
Aquele que é o seu sonho.
Aquele que faz você ver o seu futuro.
O meu tem o B de ballet.
Porque dançando me sinto inteira, em casa, e tenho certeza da minha razão de viver.

Assim nasceu o Plano B, o blog que tem tomado um pouquinho do meu tempo, mas por um bom motivo. Agora minha porção bailarina, tantas vezes postada aqui, vai direto pra lá.

E já venho com mais notícias, enquanto meu lado A ainda toca na vitrola.

Para Clara

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Quelqu'un m'a dit - Carla Bruni with lyrics

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Quelqu'un m'a dit
Carla Bruni

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux

Refrain:
Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?

On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou

Au refrain

Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"

Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?

On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux,

Au refrain

Abstinência

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Meu Google Reader está uma loucura hoje. Nem preciso comentar o tanto de gente atualizando os blogs na falta do Twitter. Aliás, em grande parte deles a notícia é a mesma:

"O serviço de microblog Twitter enfrenta problemas nesta quinta-feira (6). Às 10h, aproximadamente, o serviço caiu e permaneceu assim até o meio-dia.

A partir de então, alterna momentos de funcionamento com novas quedas.

No blog que apresenta o status do serviço, o Twitter afirma apenas que sestá se defendendo de um ataque de negação de serviço'.

Por volta do meio-dia (horário de Brasília), uma atualização foi publicada dizendo que o site tinha voltado, mas que a equipe do Twitter continuava em estado de alerta contra novas investidas.

Um ataque de negação de serviço, ou 'Denial of Service' (DoS), envia um grande volume de tráfego para um site que, então, fica sobrecarregado.

Enquanto alguns usuários continuam conseguindo acessá-lo, a maioria não consegue ver nada além de uma mensagem de que o tempo de resposta já ultrapassou o limite.

A última interrupção do Twitter havia ocorrido no dia 16 de junho, quando o site ficou fora do ar por uma hora para manutenção programada.

O Twitter tem cerca de 44 milhões de usuários no mundo, número superior ao da população de países como a Argentina (41 milhões) e quase igual ao da Colômbia ( 45 milhões).

Com informações do IDG Now!, leia na íntegra aqui."

Bom, agora que não se pode fumar em São Paulo e que a máquina de café do meu trabalho quebrou, o que resta fazer?

A Broadway é aqui

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Hoje acordei num musical. Desde cedo estou cantarolando musiquinhas do Fantasma da Ópera e, chegando no trabalho, uma amiga mandou o link de uma ação de divulgação de um programa da TV belga que estava procurando o protagonista do musical Sound of Música (A Noviça Rebelde). Então fui fuçar nos sites dos artistas brasileiros que considero os mais completos do mundo. Sim, porque eles cantam, dançam e atuam sem playback, sem dublês, ali no gogó mesmo.
Alguns "globais" se aventuram nos palcos de musicais - e o fazem muito bem-, mas tem gente soltando a voz que merece maior destaque.

Kiara Sasso
Para mim, já é um rostinho conhecido. Vi a moça no Fantasma da Ópera, no papel de Christine, e como a Ellen de Miss Saigon. Ela é a Maria da montagem brasileira de Noviça Rebelde e tem uma voz incrível. Fez parte de quase todos os musicais do Brasil. Tem bagagem a moça.


Saulo Vasconcelos
Também conhecido como o Fantasma da Ópera, seu papel que mais marcou. Também estava em cartaz como o Capitão von Trapp, da Noviça, entre outros. Vale a pena ouvir em seu site A Música da Escuridão, uma das mais lindas do Fantasmão (certeza que vou ficar com ela no ouvido o dia todo).


Nando Prado
Esse é o galã dos nossos musicais. Nando tem um rosto muito bonito e forte presença cênica. E uma voz tudo de bom, claro. Já foi o Raoul, do Fantasma, o Gaston, de A Bela e a Fera, e o Chris, de Miss Saigon. Lindo.


Lissah Martins
Atualmente fazendo a Bela, Lissah também foi a protagonista de Miss Saigon, graças a seu biotipo e olhinhos puxados. Uma voz delicada e forte que já fez parte do grupo Rouge - e que na minha humilde opinião está sendo muito melhor aproveitada agora.


Bom, tem muito mais gente boa vindo por aí. Murilo Trajano fez um ótimo Gaston nessa última remontagem - céus, o que é aquela coreografia dos copos na taverna?
Ricardo Vieira fez uma Fera correta e emocionante, debaixo de 10 kg de figurino.
E tem a fofa Simone Gutierrez, que já dançou comigo nos áureos tempos da Cia de Dança da BioRitmo, que tá arrasando em Hairspray, lá no Rio (vejam que coisa ela cantando Beauty and the Beast no MySpace).


Bom, para mim, artista é isso aí. Temos que prestigiar quem tem talento de verdade.

Valores das palavras

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Ontem eu coloquei no Twitter uma dúvida que deixou todo mundo de cabelo em pé e com vontade de correr para a aula de Língua Portuguesa. Ou correr dela.

Enfim, o caso, que mais parecia um problema matemático, estava no seguinte texto:

Quando se têm valores / Quando se tem valores

E aí? Têm ou tem?

Para resolver a "questã" a gente tem primeiro que entender o valor do "se", pois ele vai determinar o que acontece com o verbo.

E, dentre algumas possibilidades, ele poderia ser pronome apassivador, que significa que "o sujeito é paciente" (adoro essa explicação), ou pronome de indeterminação do sujeito, quando não sabemos quem fez o quê.

Há dois tipos de voz passiva. A analítica e a sintética. É justamente na sintética que aparece o pronome apassivador, como em "vendem-se casas", "consertam-se sapatos". Sim, o verbo aparece sempre flexionado nesses casos, porque "casas são vendidas" e "sapatos são consertados".

Já no caso de sujeito indeterminado, o verbo nunca é flexionado: "falou-se de muitas coisas" (quem falou? não importa). O problema é que o sujeito indeterminado só aparece quando o verbo for transitivo indireto, quer dizer, quando exige uma preposição antes do complemento, ou quando for intransitivo (sem complemento).

E o verbo "ter" é transitivo direto. Rá.

Então voltamos para a primeira opção. Ok, se valores vira o "sujeito" da ação (que no caso não é uma ação), ao transformarmos a voz passiva sintética para a analítica a oração ficaria "valores são tidos". Achou estranho?

Aqui você pode ler um pouco mais sobre o problema e note, nesta outra matéria, que a autora usa o verbo flexionado ("É dada preferência ao uso da inicial maiúscula quando se têm enumerações longas").

Porém não faltam exemplos também da forma singular, nessa terra de ninguém que é a internet.

Achei uma tabela bem funcional para diferenciar o papel do "se" nesses dois casos. Dê uma olhada aí e faça a sua aposta.


Update: a Academia Brasileira de Letras acaba de responder a essa questão (para quem ainda estava na dúvida). É voz passiva mesmo.

Um evento. Dois fotógrafos.

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Fotografar dança é bem mais que uma arte. É dançar junto. O fotógrafo precisa ouvir a música e saber em que acorde os bailarinos estarão no ápice do movimento, precisa pegar o pé mais esticado, o braço bem colocado.
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro completou 100 anos e nas comemorações houve apresentações de dança. Dê uma olhada no que foi captado no evento, na visão de fotógrafos diferentes, e me diga se não tenho razão. No G1, os bailarinos foram desvalorizados, pegos em posições ingratas. Já as fotos da Paula Lobo devem ajudar até os amadores. Lindas!

No G1:



Da Paula Lobo (dica da Cló, que viu aqui):







Bom, para quem quiser saber mais sobre fotos de dança, selecionei algumas coisas legais.
Dos festivais que conheço, alguns fotógrafos arrasam:

A Agência Espetaculum faz as fotos do Festival de Dança de Joinville. Com os melhores bailarinos do país nos palcos, sempre sai coisa boa:



O Renato acerta na maioria das vezes. É dele a minha foto mais querida (eu e Jorge em A Escrava e o Mercador):


Agora, para causar de vez, o meu preferido: Gene Schiavone ganha a vida fácil, viu? Porque ele trabalha com as estrelas máximas da dança, em vários estilos. Escândalo!



Post de mulherzinha

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Faz tempo que tenho alguns assuntinhos bem femininos pra comentar aqui, mas a falta de tempo estava me impedindo de ser fútil, coisa que todo mundo tem que fazer de vez em quando para não enlouquecer de vez.
Na verdade, são algumas dicas bacaninhas que minhas amigas me passaram, e que achei tão legais que faço questão de compartilhar.

Para quem adora maquiagem, a Lu me deixou passar um fim de semana com algumas novidades, para testar:

Powerpoint Eye Pencil Forever Green, da MAC:


Como explicar essa cor? É um verde nada óbvio. É verde cor de olho verde, natural pra caramba, que realça a cor de quem tem olho claro e dá um charme para todos os outros. Amei, amei, amei! Pelamordedeus, que a MAC nunca tire essa cor de linha.

Mascara Ôscillation, da Lancôme:

Bom, o grande barato desse rímel (era assim que minha avó falava) é que ele vibra. São 7.000 oscilações por minuto que fazem com que a máscara se distribua melhor fio por fio, aumentando o tamanho dos cílios e colorindo naturalmente. É um escândalo.

Como se não bastasse eu passar um tempinho com essas maquiagens, a Lu conseguiu quem trouxesse para mim do free-shop (e me deu o Ôscillation de presente). Querida, obrigada, obrigada!

Make-up Mary Kay:

Minha amiga Paty está vendendo coisinhas da marca, que tem maquiagem e uma linha de cuidados para a pele. Eu adotei o Blush Mineral Cherry Blossom (a cor é bárbara) e o Hidratante Tonalizante para o Rosto, com FPS 20, além de uma sombra pretinha básica. Gostei de todas as texturas, a qualidade é muito boa mesmo.
O melhor é que os precinhos são tão amigos quanto a vendedora.

Shampoos e Condicionadores Herbal Essences:


Uma marca barattchiiinha nos EUA, dessas de farmácia mesmo, que chega aqui com um preço razoável pelo bem que proporciona. Dá pra encarar os shampoos e condicionadores da Herbal Essences, sim. Principalmente porque eles limpam de verdade e hidratam muito. Sabe quando você sente o cabelo derreter? Fora os cheirinhos, que são os melhores do mundo, dá vontade de comprar um de cada. Experimentei o antifrizz, ele cumpre o que promete. Meu cabelo fica limpo, lisão, sem arrepiados. A Mel também usou o para cabelos lisos e achou que fica um pouco pesado.
Ah, e eu me divirto com os nomes e rótulos originais:

Dangerously Straight
Para cabelos lisos
Fórmula combinada com pera, mel e seda

Totally Twisted
Para cabelos cacheados
Fórmula combinada com extrato de lavanda francesa e extrato de jade

Color Me Happy
Para cabelos tingidos
Fórmula combinada com açaí e seda

Body Envy Volumizing
Para cabelos finos, de mistos a oleosos, sem volume
Fórmula combinada com nectarina branca e flor-de-coral rosa

Hello Hydration
Para cabelos secos e ressecados
Fórmula combinada com hidratantes especiais, orquídea e leite de coco

Break's Over Strengthening
Antiquebra
Fórmula combinada com pérolas, manga e coco

Drama Clean
Para limpeza refrescante
Fórmula combinada com flor de laranjeira, morango e chá

Tem que pesquisar bastante o preço, viu? A média é de 20 reais cada shampoo ou condicionador (preço das lojas Americanas), mas as embalagens são grandes. Nas farmácias grandes é fácil de achar, mas um pouquinho mais caro. Surpreendentemente, na Drogaria Iguatemi a dupla sai por 30 reais, o que compensa muito, mas é um kit fechadinho e a promoção não deve durar muito. Aliás, vou correr pra pegar o meu.
Agora, se você está fora do Brasil, se jogaaaa. Em Londres custam cerca de £ 2 e no restante da Europa não passam de 3. Nos EUA saem por cerca de 4 doletas.

Bom, agora vou assistir algum filme sueco ou tentar ler Proust, porque já deu, né?

Pitanguy nele

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Meu desktop acaba de passar por uma plástica. Mas daquelas que dá certo.
Achei um site que faz maravilhas com a nossa vida digital e tem ícones bárbaros para Mac e PC.
Dê uma passadinha , veja os tutoriais e crie um mundo virtual melhor, já que você passa boa parte do tempo nele mesmo.

Antes:


Depois:

E agora? Com qual eu fico?

Billie Tweets: a Twitter tribute to Michael Jackson

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Billie Tweets: a Twitter tribute to Michael Jackson

Uma homenagem em tempos de Twitter. RIP MJ.

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Vai passar

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Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça. Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa. Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga, mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca...

Caio Fernando Abreu

PS: na verdade, já passou. Mas esse é um texto bonito demais para ficar de fora desse blog. Eu queria ter lido isso antes, quando as palavras eram as únicas amigas que tinha por perto.

Trilha sonora para o post anterior

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The Killers - Human

É só clicar.

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Um mundo que dança

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Olhe à sua volta. Preste atenção nas pessoas que estão perto de você durante um dia inteiro. Não é possível que o ser humano tenha sido feito para passar a vida sentado assistindo à televisão.
Depois que fui à apresentação do ótimo grupo Pilobolus, comecei a ficar incomodada com a acomodação do nosso corpo. Um monte de ossos empilhados sem uso é a coisa mais triste que se pode fazer com ele.
Defendo e sempre defendi o uso consciente do corpo, cada um com o seu jeito. Na dança eu encontrei a minha maneira de expressar um pouco disso. E brigo todo o dia com minha musculatura para que ela tenha força, disposição e coragem de dizer coisas que a boca sozinha não diz. Brigo também com minhas alunas para que elas não façam uma aula medíocre, para que sintam que há energia em todos os movimentos, que há intenção num passo de dança, que o coração dança junto com a gente.
Acho que um pouco do que estou dizendo aqui foi lindamente captado em fotografia e publicado por Alan Taylor no blog The Big Picture, do Boston Globe. Inspirado por publicações como Life Magazine, National Geographic e em experiências on-line como MSNBC.com's Picture Stories Alan posta toda segunda-feira incríveis imagens - com enfoque sobre os atuais acontecimentos, histórias e tudo o que pode ser interessante e que uma câmera pode conseguir registrar. Escolhi algumas para o Diário, mas tem muito mais, além dos créditos e de uma introdução bacana (em inglês).
O mundo é bailarino e, como Nietzsche já disse, que seja perdido o dia em que não se dançou uma única vez.


Bailarina do English National Ballet em A Morte do Cisne, com traje concebido por Karl Largerfeld, Londres, Inglaterra. (Oli Scarff / Getty Images)

Pessoass dançando sob o arco-íris durante o Bela Música Rock Festival 2009, em Borovaya, nos arredores de Minsk. (AP Photo)

Bailarinos do Alvin Ailey American Dance Theater. (Andrew Eccles)

Dançarinas da Morenada durante o festival Jesus del Gran Poder em La Paz, Bolívia. (AIZAR RALDES / AFP / Getty Images)

Bailarino da trupe argentina Fuerza Bruta em abertura do show no Adrienne Arsht Center, em Miami, Flórida. (REUTERS / Carlos Barría)

Eleitores do candidato reformista Mir Hossein Mousavi dançam a música que vem de um alto-falante nas ruas, alguns dias antes da eleição, no Sadatabad distrito do norte de Teerã, Irã. (AP Photo / Ben Curtis)

Eleitores do candidato Megawati Sukarnoputri dançam antes de seu discurso em Porong distrito de Sidoarjo, East Java. (REUTERS / Beawiharta)

Doug Walker e seu grupo de break dance "New York City Float Committee" na estação do Metrô de Times Square. (Damon Winter / The New York Times)

"Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra."
Nizan Guanaes


Sobre branding e o que fazemos com a nossa marca pessoal

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Semana pasada o presidente da agência de propaganda em que estou trabalhando há apenas 15 dias reuniu todos os funcionários para falar sobre branding. Ou melhor, para informar que a partir de agora todo mundo tem que se virar para saber o que é isso.

Foi a primeira vez que eu vi o cara assim, tête-à-tête. E, entre todos os mitos que criam em torno dessas figuras da propaganda brasileira, alguns faziam muito sentido. Mas outros não, porque, em vez de ficar com medo daquela pessoa que falava alto, gesticulava muito e xingava de um jeito engraçado, eu senti mesmo uma baita vontade de ficar aqui.

Primeiro porque, desde que saí de outra agência grande para tentar dar um novo rumo para a minha carreira, a intenção foi sempre procurar coisas novas. Não só naquilo que é produzido em propaganda, mas no alicerce da construção das ideias. E apesar de eu mesma ter sentido meus alicerces pessoais tremerem na base, foi um tempo de muito aprendizado.

Tive que estudar todo santo dia. Tive que aprender o que é branding, o que é BTL, o que é guerillha. Fiz planejamentos solitários e enriquecedores, ao mesmo tempo em que saía da agência pensando que não poderia planejar nada para minha vida no futuro próximo.

Branding é o termo que se usa para a construção e percepção de uma marca. Porque, cada vez mais, para as empresas, o seu bem mais precioso é algo que não se come, nem se veste, nem se usa. Branding não é fazer com que um consumidor escolha uma marca em vez da marca concorrente. É fazer com que um potencial consumidor perceba a marca como a única solução para o que ele busca.

“Uma marca tem de parecer um amigo.”
Howard Schultz
 - Starbucks

Traçando um paralelo com a vida da gente, não é muito diferente. Algumas pessoas também têm sua marca. São lembradas pela forma como tratam os outros, pela qualidade do seu trabalho, por uma sensação que deixam quando vão embora. Eu acredito muito na minha marca pessoal, mas agora pude perceber o quanto ela andou esquecida e judiada nos últimos tempos. Minha revolução pessoal, assim como a chamada crise instaurada no mundo, só me deu chance de sobreviver.

Justamente o contrário do que disse o presidente da agência na semana passada: viva.

No words

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The Beatles: Rock Band

Emprego certo

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Recebi a dica da Lu Carvalho, mas já tinha visto - e amado - este filme do UOL.
Veio em boa hora, porque acabo de mudar de emprego. A gente vive insatisfeito com o que tem, não é mesmo? Mas não esta que vos escreve. Ao longo do tempo tenho aprendido a dar valor em cada coisa e, mesmo dentro do olho do furacão, sempre procurei dar o melhor de mim. 
O problema é que eu não andava tão bem, feliz e contente, então sempre tinha a sensação que o melhor de mim ainda era uma droga.
Enfim, a vida tá recomeçando. E nunca pareceu tão animadora.
É, estou muito feliz.


Mashup

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Eu adoro música misturada e já falei disso aqui. E, não importa se você é fã de uma das bandas, de todas ou de nenhuma, o resultado da mistureba costuma ficar muito legal e divertido.
Descobri hoje o DJ Earworm, que conseguiu a improvável proeza de colocar num só pacote U2 (One), Beatles (Come Together), Mariah Carey (We Belong Together) e Diana Ross (Someday We'll Be Together).

Dá uma olhada:


Mal comparando

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Não tem jeito, vivemos em um mundo em que comparar ainda é ter a medida da loucura que praticamos ou que praticam com a gente. É por isso que, bem ou mal, acabamos fazendo comparações e usando todo dia o famigerado ctrl+c ctrl+v, mental ou não, para ter parâmetros e algum senso de ridículo.

Bem, tenho pensado muito nisso há uns dias. E venho ruminando as ideias, até que hoje elas, devidamente digeridas, saíram de dentro de mim depois de ver isso aqui:



Pausa para a vergolha alheia ir dar uma volta na esquina.

Eu tenho muito medo das coisas copiadas. Tenho mesmo. É como aquela campanha da adidas, "Falsificações machucam de verdade". No caso dos calçados, a comunicação foi feita com o intuito de alertar para os problemas que as imitações causam aos pés de quem usa. Mas, se a gente começar a pensar em tudo o que é feito sem raiz, vai bem mais longe. Outro dia eu fui com amigos ao Hopi Hari. Uma tarde divertidíssima, porque a gente riu da própria desgraça. É muito chato estar aqui no Brasil, ser brasileiro de sangue e alma e ficar comparando com os Estados Unidos, com a Europa e o escambau. Mas abriram precedentes, essa que é a coisa. Deram espaço. Pediram. Então toda hora a gente se pegava olhando pros brinquedos do parque e falando que na Disney é diferente. Caraca, e é mesmo. Triste constatação. Porque na Disney não dá medo do treco cair. Porque não tem aquela fila ingrata sob o sol. E não tem emo furando a fila descaradamente sem ninguém falar nada.

Mas, voltando ao clipe, o que são as Sexy Dolls senão uma falsificação barata, daquelas que nem na 25 de março a gente encontra, do grupinho que até então eu não tinha visto motivo para ser copiado Pussycat Dolls? As "originais" americanas têm mais de 10 anos de estrada e começaram como um conjunto de mulheres bonitas com um quê de pin-ups e cantavam um popzinho bem safado. Tá, okay. Mas fui dar uma olhada nuns clipes das fias. Elas rebolam, elas dançam na boquinha da garrafa, mas, antes de mais nada, elas cantam. Simples assim. Porque, presume-se que para ser cantora, no mínimo você saiba fazer isso, certo? Bom, e sem contar a superprodução da coisa, daquelas que fazem a Britney ficar com medo de passar por xexelenta.

A versão tupiniquim é formada por Sabrina Boing Boing, Carol Miranda e Julia Paes. A primeira é arroz de festa e viciada em silicone. As outras fazem filme pornô, sendo que uma perdeu a virgindade em cena (olha que coisa banal, não é mesmo?) e a outra namorava a filha da Gretchen. E o clipe? O maiô que elas estão usando não merece o verbo "vestir". E meia-calça bege não devia existir nem no catálogo das meias Kendall.

Bom, eu sei que vou virar uma pessoa rabugenta, mas é que tenho crianças na família e rezo toda noite para que no mundo delas não haja um correspondente pior do que o Trios Los Angeles foi no meu. Mas há, essa é a merda. E o que nos resta fazer é deixar de admirar o que é dos outros e tentar fazer igual, porque não vai dar. É procurar no que é nosso de verdade a beleza das coisas originais e autênticas. Porque se um tênis falsificado machuca, essas bonecas aí no mínimo podem acabar com qualquer brincadeira.

(In)Culta e Bela

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Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam
no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns
anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido,
feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado
nominal.
Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele:
Um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por
leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os
dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa
oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno
índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo,
pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos.
Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador
recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente
no andar do substantivo. Ele
usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma
fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para
ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num
vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e
rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam
terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu
ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um
período simples passaria entre os dois.

Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não
perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro
que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às
vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias,
parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns
minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia
tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um
perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu
grande travessão forçando aquele hífen ainda singular.

Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do
edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos
nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições,
locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação
tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e
declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por
todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto
adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era
um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa
maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos.
Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao
seu tritongo,
propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas:
enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do
substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo
indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um
ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo,
jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua
portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa
conclusiva.


Dizem que este texto é de uma aluna da Universidade Federal de Pernambuco.
Achei incrível.

Dica bacana

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Para as meninas (e os meninos também, uai). Lembra da Carol, que fez o organizador de bolsa mais lindo ever de que eu falei aqui? Então, ela avisa que A Maria Maricota estará com um stand no Mercado Mistureba - Especial Dia das Mães, na Choperia Brazooka, no dia 2 de maio. Isso para quem estiver no Rio, é claro.
Sou fã das coisas que ela faz e por isso fico com o maior bico de não poder ir pessoalmente. Mas thanks god posso participar do meu jeito, virtualmente e tendo a certeza que vai ser muito bacana.

Sapatilhas famosas

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Eu sou impressionada com o pé de algumas bailarinas famosas. Não estou falando da parte feia, que todo mundo deve imaginar como é (unhas tortas, calos, machucados, joanetes, etc), e nem do tamanho do colo de pé que elas têm.

Ah, você não sabe o que é colo de pé? O famoso cou-de-pied (olha a boca!) todo mundo tem, e é o dorso do nosso pé. Mas se ele é bom ou não para a dança são outros quinhentos.

Pausa para a explicação ilustrada:

Colo de pé feio. Não dobra nem com macumba. Se você nasceu com ele, com muuuitos exercícios pode até conseguir melhorar, afinal até a Ana Botafogo teve seus dias de miséria. E, para girar e saltar na ponta, é extremamente seguro. As bailarinas que giram horrores geralmente não têm tanto colo de pé.







Colo de pé bonito. Se acompanhado de uma bela linha de pernas, são o sonho de consumo de qualquer bailarina. Os pés bonitos assim vão desde os bem desenvolvidos até os extremamente flexíveis, que geralmente saem melhor nas fotos. Mas dão um trabalho! As sapatilhas de ponta mais bonitas não duram uma semana. Elas literalmente quebram no meio. Girar é complicadíssimo, pois o eixo da perna começa de um jeito e termina de outro com o peso do corpo sobre o colo do pé. É o meu tipo, não sei se feliz ou infelizmente.









Colo de pé absurdo (nível Alessandra Ferri). Esse é o motivo do meu post. Como disse, não tem tanto a ver com o tamanho do colo, mas sim com o fato de um ser humano ficar tanto tempo em cima dele. Pior, com que sapatilha?














A Gaynor Minden, que eu uso e conheço, um dia pareceu ser a coisa mais perfeita para quem tem pés assim. Primeiro porque ela é feita de um material “inquebrável”. Segundo porque ela tem vários níveis de firmeza. Realmente, depois dela, nunca mais torci o pé em aula, coisa que vivia me acontecendo. O pé fica estável, os giros mais seguros, o balance (equilíbrio) é muito maior! O problema é que ela puxa para trás. Faz sentido, não? Enquanto teu pé te joga para a frente, ela segura. Isso faz com que às vezes o seu possível pé de Alessandra Ferri não saia tão bem na foto. O outro problema: você fica viciada na bendita. Silenciosa, segura, durável, macia... Nem parece uma sapatilha.

Bom, mas a Alessandra Ferri não usa Gaynor. Fiquei a tarde toda procurando que sapatilha as bailarinas mais famosas usam e aqui está uma listinha, para quem ficou curioso ou não:

Grishko: as estrelas do Mariinsky costumam usar as dessa marca, que está para o teatro russo assim como a Freed está para o New York City Ballet. Mas uma ou outra bailarina prefere a Gaynor, porque sapatilhas são coisas muito pessoais.

Bloch: Paloma Herrera, estrela do American Ballet Theater trocou a famosa Capezio por esta marca. Sarah Lamb (Royal) e Irina Dvorovenko (ABT) também usam.

Gaynor Minden: o site aponta inúmeras estrelas como fãs da marca. Entre as principais: Alina Cojocaru e Natalia Osipova, do Royal Ballet e Claudia Mota, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Freed of London: Darcey Bussell, Marianela Nuñez, Polina Semionova e Alessandra Ferri usam. Para mim são os pés mais bonitos e famosos. Mas tenho certeza que a fôrma delas é especial. Ana Botafogo também usa sapatilhas dessa marca, mas não sei o modelo, ano, cor e placa.

Resumindo: a Gaynor é a Nike das sapatilhas. Freed é a All Star. E, entre uma e outra, sou bem capaz de ficar com as duas.

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Bom, e para quem quiser saber um pouco mais sobre modelos e marcas, segue um guia especial (que no fim das contas fiz mesmo para minhas alunas e pro pessoal do ballet poder conhecer um pouquinho mais). Aproveitem!

Freed of London
É uma marca de sapatilhas muito bonitas, leves e confortáveis, mas feita para pés fortes.

• Freed Classic
Usada pela maioria das principais companhias internacionais. É bastante dura.
• Freed Wing Block
Projetada para bailarinas que necessitam de um pouco mais de suporte, é silenciosa e um pouco flexível.
• Freed Student
Originalmente desenvolvida para as estudantes da Royal Ballet School. É uma sapatilha de palmilha bastante flexível.
• Freed Soft Block
A sapatilha ideal para a transição das de meia ponta para as de ponta.

Gaynor Minden
Sua escolha se baseia em 6 medidas específicas: Tamanho (Length), Box (Caixa), Dureza (Shank), Largura (Width), Gáspea (Vamp), Calcanhar (Heel). Várias combinações podem ser feitas.
Todas as pontas Gaynor Minden são montadas com solados e box compostos de um polímero chamado Elastometric. Diferente das convencionais bases de papelão ou gesso, Gaynor Mindens não deterioram nem quebram. Tenha certeza na hora de escolher sua dureza adequadamente. O solado das pontas Gaynor Minden são fabricados com uma curvatura que seguem o arco de seus pés, mas caso precise de alguns ajustes você ainda tem a opção de ajustá-la com o uso de um secador de cabelos.

Capezio
Provavelmente é a marca mais vendida no Brasil, é confortável, leve, dá uma boa estabilidade, fica bonita no palco, e é boa para fazer aulas. É uma marca forte também nos Estados Unidos, e as importadas são ainda mais bonitas e delicadas do que as feitas aqui.

• Fouetté: gáspea em "V", alta, normal. Valoriza o colo do pé. Cordão lateral. Para todos os tipos de pés.
• Partner: cetim solto. Para iniciantes, avançadas e profissionais. Alonga o pé. Silenciosa. Flexível. Sola costurada. Plataforma larga para um perfeito balance. Elástico transparente.

Cecília Kerche
Bonita, confortável, leve, possui uma grande variedade de modelos, cada um para um tipo de pé. A grande maioria detesta esta sapatilha, pois apesar de todos os atributos já citados, normalmente ela não quebra onde queremos, ou então quando quebra não dura praticamente nada. É boa para apresentações, porém é a típica sapatilha descartável.
Faz muitos anos que não uso, mas tenho achado bonita.

Balletto
Esta é uma marca brasileira, presente em vários festivais com seus estandes. Tem produtos bem interessantes, como a "pirueteira" e a "chinerina", alongadores de colo de pé. As sapatilhas são ótimas para quem não tem muita força nos pés, pois têm uma palmilha bastante flexível, até mesmo as reforçadas. Ficam bonitas nos pés por serem delicadas e bem acabadas. Porém, depois de quebrada, a ponta fica realmente muito feia. Enfim, é a sapatilha adequada para quem tem pouca força ou para quem está começando a usar pontas.

• Modelo Russo: para todos os tipos de pé, sua gáspea baixa valoriza bastante o colo do pé.
• Modelo Inês: adequado para pés delicados e estreitos.
• Modelo Julie: pés com largura normal.
• Modelo Luise: ideal para pés largos.
• Modelo Italiano: para quem tem bastante colo de pé.

Millenium
São boas por possuírem uma grande variedade de modelos, duram bastante, desde que seja comprado o modelo certo para seu pé. Para fazer aula são ótimas, forçam o pé a trabalhar mais, porém para apresentações não são muito aconselhadas por pura questão estética. São muito feias, tem um acabamento péssimo, e fazem muito barulho quando novas.

• Adagio: sapatilha estreita, com gáspea em V, alta, nem dura e nem mole, para quem tem pouco colo de pé.
• Balance: sapatilha larga, dura, com gáspea alta, para quem tem muito colo de pé e bastante força.
• Chesini: sapatilha bem mole para iniciante, mais mole do que Standard.
• Prelúdio: sapatilha estreita, com gáspea em V, alta, nem dura e nem mole, para quem tem pouco colo de pé.
• Standard: estreita, com gáspea em V, própria para iniciantes ou palco.
• Tecnic: larga, dura, com gáspea baixa, para quem tem pouco colo de pé e bastante força.
• Vaganova: estreita dura, com gáspea em V, para quem tem força no pé e bastante colo.

Ballet

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Conversando com um diretor de criação, perguntei como as pessoas o reconheciam, sem ser pelo fato de ser publicitário.
Sim, porque publicitários têm suas paixões além da agência.
E, quando ele me fez a mesma pergunta, a resposta veio fácil: bailarina.



Ballet Caminhos, coreografia de Fátima Barbosa, no Ballace, Bahia.
Eu sou a de verde ;)