Valores das palavras

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Ontem eu coloquei no Twitter uma dúvida que deixou todo mundo de cabelo em pé e com vontade de correr para a aula de Língua Portuguesa. Ou correr dela.

Enfim, o caso, que mais parecia um problema matemático, estava no seguinte texto:

Quando se têm valores / Quando se tem valores

E aí? Têm ou tem?

Para resolver a "questã" a gente tem primeiro que entender o valor do "se", pois ele vai determinar o que acontece com o verbo.

E, dentre algumas possibilidades, ele poderia ser pronome apassivador, que significa que "o sujeito é paciente" (adoro essa explicação), ou pronome de indeterminação do sujeito, quando não sabemos quem fez o quê.

Há dois tipos de voz passiva. A analítica e a sintética. É justamente na sintética que aparece o pronome apassivador, como em "vendem-se casas", "consertam-se sapatos". Sim, o verbo aparece sempre flexionado nesses casos, porque "casas são vendidas" e "sapatos são consertados".

Já no caso de sujeito indeterminado, o verbo nunca é flexionado: "falou-se de muitas coisas" (quem falou? não importa). O problema é que o sujeito indeterminado só aparece quando o verbo for transitivo indireto, quer dizer, quando exige uma preposição antes do complemento, ou quando for intransitivo (sem complemento).

E o verbo "ter" é transitivo direto. Rá.

Então voltamos para a primeira opção. Ok, se valores vira o "sujeito" da ação (que no caso não é uma ação), ao transformarmos a voz passiva sintética para a analítica a oração ficaria "valores são tidos". Achou estranho?

Aqui você pode ler um pouco mais sobre o problema e note, nesta outra matéria, que a autora usa o verbo flexionado ("É dada preferência ao uso da inicial maiúscula quando se têm enumerações longas").

Porém não faltam exemplos também da forma singular, nessa terra de ninguém que é a internet.

Achei uma tabela bem funcional para diferenciar o papel do "se" nesses dois casos. Dê uma olhada aí e faça a sua aposta.


Update: a Academia Brasileira de Letras acaba de responder a essa questão (para quem ainda estava na dúvida). É voz passiva mesmo.

Um evento. Dois fotógrafos.

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Fotografar dança é bem mais que uma arte. É dançar junto. O fotógrafo precisa ouvir a música e saber em que acorde os bailarinos estarão no ápice do movimento, precisa pegar o pé mais esticado, o braço bem colocado.
O Teatro Municipal do Rio de Janeiro completou 100 anos e nas comemorações houve apresentações de dança. Dê uma olhada no que foi captado no evento, na visão de fotógrafos diferentes, e me diga se não tenho razão. No G1, os bailarinos foram desvalorizados, pegos em posições ingratas. Já as fotos da Paula Lobo devem ajudar até os amadores. Lindas!

No G1:



Da Paula Lobo (dica da Cló, que viu aqui):







Bom, para quem quiser saber mais sobre fotos de dança, selecionei algumas coisas legais.
Dos festivais que conheço, alguns fotógrafos arrasam:

A Agência Espetaculum faz as fotos do Festival de Dança de Joinville. Com os melhores bailarinos do país nos palcos, sempre sai coisa boa:



O Renato acerta na maioria das vezes. É dele a minha foto mais querida (eu e Jorge em A Escrava e o Mercador):


Agora, para causar de vez, o meu preferido: Gene Schiavone ganha a vida fácil, viu? Porque ele trabalha com as estrelas máximas da dança, em vários estilos. Escândalo!



Post de mulherzinha

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Faz tempo que tenho alguns assuntinhos bem femininos pra comentar aqui, mas a falta de tempo estava me impedindo de ser fútil, coisa que todo mundo tem que fazer de vez em quando para não enlouquecer de vez.
Na verdade, são algumas dicas bacaninhas que minhas amigas me passaram, e que achei tão legais que faço questão de compartilhar.

Para quem adora maquiagem, a Lu me deixou passar um fim de semana com algumas novidades, para testar:

Powerpoint Eye Pencil Forever Green, da MAC:


Como explicar essa cor? É um verde nada óbvio. É verde cor de olho verde, natural pra caramba, que realça a cor de quem tem olho claro e dá um charme para todos os outros. Amei, amei, amei! Pelamordedeus, que a MAC nunca tire essa cor de linha.

Mascara Ôscillation, da Lancôme:

Bom, o grande barato desse rímel (era assim que minha avó falava) é que ele vibra. São 7.000 oscilações por minuto que fazem com que a máscara se distribua melhor fio por fio, aumentando o tamanho dos cílios e colorindo naturalmente. É um escândalo.

Como se não bastasse eu passar um tempinho com essas maquiagens, a Lu conseguiu quem trouxesse para mim do free-shop (e me deu o Ôscillation de presente). Querida, obrigada, obrigada!

Make-up Mary Kay:

Minha amiga Paty está vendendo coisinhas da marca, que tem maquiagem e uma linha de cuidados para a pele. Eu adotei o Blush Mineral Cherry Blossom (a cor é bárbara) e o Hidratante Tonalizante para o Rosto, com FPS 20, além de uma sombra pretinha básica. Gostei de todas as texturas, a qualidade é muito boa mesmo.
O melhor é que os precinhos são tão amigos quanto a vendedora.

Shampoos e Condicionadores Herbal Essences:


Uma marca barattchiiinha nos EUA, dessas de farmácia mesmo, que chega aqui com um preço razoável pelo bem que proporciona. Dá pra encarar os shampoos e condicionadores da Herbal Essences, sim. Principalmente porque eles limpam de verdade e hidratam muito. Sabe quando você sente o cabelo derreter? Fora os cheirinhos, que são os melhores do mundo, dá vontade de comprar um de cada. Experimentei o antifrizz, ele cumpre o que promete. Meu cabelo fica limpo, lisão, sem arrepiados. A Mel também usou o para cabelos lisos e achou que fica um pouco pesado.
Ah, e eu me divirto com os nomes e rótulos originais:

Dangerously Straight
Para cabelos lisos
Fórmula combinada com pera, mel e seda

Totally Twisted
Para cabelos cacheados
Fórmula combinada com extrato de lavanda francesa e extrato de jade

Color Me Happy
Para cabelos tingidos
Fórmula combinada com açaí e seda

Body Envy Volumizing
Para cabelos finos, de mistos a oleosos, sem volume
Fórmula combinada com nectarina branca e flor-de-coral rosa

Hello Hydration
Para cabelos secos e ressecados
Fórmula combinada com hidratantes especiais, orquídea e leite de coco

Break's Over Strengthening
Antiquebra
Fórmula combinada com pérolas, manga e coco

Drama Clean
Para limpeza refrescante
Fórmula combinada com flor de laranjeira, morango e chá

Tem que pesquisar bastante o preço, viu? A média é de 20 reais cada shampoo ou condicionador (preço das lojas Americanas), mas as embalagens são grandes. Nas farmácias grandes é fácil de achar, mas um pouquinho mais caro. Surpreendentemente, na Drogaria Iguatemi a dupla sai por 30 reais, o que compensa muito, mas é um kit fechadinho e a promoção não deve durar muito. Aliás, vou correr pra pegar o meu.
Agora, se você está fora do Brasil, se jogaaaa. Em Londres custam cerca de £ 2 e no restante da Europa não passam de 3. Nos EUA saem por cerca de 4 doletas.

Bom, agora vou assistir algum filme sueco ou tentar ler Proust, porque já deu, né?

Pitanguy nele

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Meu desktop acaba de passar por uma plástica. Mas daquelas que dá certo.
Achei um site que faz maravilhas com a nossa vida digital e tem ícones bárbaros para Mac e PC.
Dê uma passadinha , veja os tutoriais e crie um mundo virtual melhor, já que você passa boa parte do tempo nele mesmo.

Antes:


Depois:

E agora? Com qual eu fico?

Billie Tweets: a Twitter tribute to Michael Jackson

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Billie Tweets: a Twitter tribute to Michael Jackson

Uma homenagem em tempos de Twitter. RIP MJ.

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Vai passar

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Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada "impulso vital". Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como "estou contente outra vez". Ou simplesmente "continuo", porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como "sempre" ou "nunca". Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como "não resistirei" por outras mais mansas, como "sei que vai passar". Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência. Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de "uma ausência". E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços. Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. E morbidamente talvez enumeres todas as vezes que a loucura, a morte, a fome, a doença, a violência e o desespero roçaram teus ombros e os de teus amigos. Serão tantas que desistirás de contar. Então fingirás - aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam. Embora saibas que há perdas realmente irreparáveis e que um braço amputado jamais se reconstituirá sozinho. Achando graça, pensarás com inveja na largatixa, regenerando sua própria cauda cortada. Mas no espelho cru, os teus olhos já não acham graça. Tão longe ficou o tempo, esse, e pensarás, no tempo, naquele, e sentirás uma vontade absurda de tomar atitudes como voltar para a casa de teus avós ou teus pais ou tomar um trem para um lugar desconhecido ou telefonar para um número qualquer (e contar, contar, contar) ou escrever uma carta tão desesperada que alguém se compadeça de ti e corra a te socorrer com chás e bolos, ajeitando as cobertas à tua volta e limpando o suor frio de tua testa. Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, ruminas uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim:- ... mastiga a ameixa frouxa. Mastiga, mastiga, mastiga: inventa o gosto insípido na boca seca...

Caio Fernando Abreu

PS: na verdade, já passou. Mas esse é um texto bonito demais para ficar de fora desse blog. Eu queria ter lido isso antes, quando as palavras eram as únicas amigas que tinha por perto.

Trilha sonora para o post anterior

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The Killers - Human

É só clicar.

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Um mundo que dança

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Olhe à sua volta. Preste atenção nas pessoas que estão perto de você durante um dia inteiro. Não é possível que o ser humano tenha sido feito para passar a vida sentado assistindo à televisão.
Depois que fui à apresentação do ótimo grupo Pilobolus, comecei a ficar incomodada com a acomodação do nosso corpo. Um monte de ossos empilhados sem uso é a coisa mais triste que se pode fazer com ele.
Defendo e sempre defendi o uso consciente do corpo, cada um com o seu jeito. Na dança eu encontrei a minha maneira de expressar um pouco disso. E brigo todo o dia com minha musculatura para que ela tenha força, disposição e coragem de dizer coisas que a boca sozinha não diz. Brigo também com minhas alunas para que elas não façam uma aula medíocre, para que sintam que há energia em todos os movimentos, que há intenção num passo de dança, que o coração dança junto com a gente.
Acho que um pouco do que estou dizendo aqui foi lindamente captado em fotografia e publicado por Alan Taylor no blog The Big Picture, do Boston Globe. Inspirado por publicações como Life Magazine, National Geographic e em experiências on-line como MSNBC.com's Picture Stories Alan posta toda segunda-feira incríveis imagens - com enfoque sobre os atuais acontecimentos, histórias e tudo o que pode ser interessante e que uma câmera pode conseguir registrar. Escolhi algumas para o Diário, mas tem muito mais, além dos créditos e de uma introdução bacana (em inglês).
O mundo é bailarino e, como Nietzsche já disse, que seja perdido o dia em que não se dançou uma única vez.


Bailarina do English National Ballet em A Morte do Cisne, com traje concebido por Karl Largerfeld, Londres, Inglaterra. (Oli Scarff / Getty Images)

Pessoass dançando sob o arco-íris durante o Bela Música Rock Festival 2009, em Borovaya, nos arredores de Minsk. (AP Photo)

Bailarinos do Alvin Ailey American Dance Theater. (Andrew Eccles)

Dançarinas da Morenada durante o festival Jesus del Gran Poder em La Paz, Bolívia. (AIZAR RALDES / AFP / Getty Images)

Bailarino da trupe argentina Fuerza Bruta em abertura do show no Adrienne Arsht Center, em Miami, Flórida. (REUTERS / Carlos Barría)

Eleitores do candidato reformista Mir Hossein Mousavi dançam a música que vem de um alto-falante nas ruas, alguns dias antes da eleição, no Sadatabad distrito do norte de Teerã, Irã. (AP Photo / Ben Curtis)

Eleitores do candidato Megawati Sukarnoputri dançam antes de seu discurso em Porong distrito de Sidoarjo, East Java. (REUTERS / Beawiharta)

Doug Walker e seu grupo de break dance "New York City Float Committee" na estação do Metrô de Times Square. (Damon Winter / The New York Times)

"Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra."
Nizan Guanaes


Sobre branding e o que fazemos com a nossa marca pessoal

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Semana pasada o presidente da agência de propaganda em que estou trabalhando há apenas 15 dias reuniu todos os funcionários para falar sobre branding. Ou melhor, para informar que a partir de agora todo mundo tem que se virar para saber o que é isso.

Foi a primeira vez que eu vi o cara assim, tête-à-tête. E, entre todos os mitos que criam em torno dessas figuras da propaganda brasileira, alguns faziam muito sentido. Mas outros não, porque, em vez de ficar com medo daquela pessoa que falava alto, gesticulava muito e xingava de um jeito engraçado, eu senti mesmo uma baita vontade de ficar aqui.

Primeiro porque, desde que saí de outra agência grande para tentar dar um novo rumo para a minha carreira, a intenção foi sempre procurar coisas novas. Não só naquilo que é produzido em propaganda, mas no alicerce da construção das ideias. E apesar de eu mesma ter sentido meus alicerces pessoais tremerem na base, foi um tempo de muito aprendizado.

Tive que estudar todo santo dia. Tive que aprender o que é branding, o que é BTL, o que é guerillha. Fiz planejamentos solitários e enriquecedores, ao mesmo tempo em que saía da agência pensando que não poderia planejar nada para minha vida no futuro próximo.

Branding é o termo que se usa para a construção e percepção de uma marca. Porque, cada vez mais, para as empresas, o seu bem mais precioso é algo que não se come, nem se veste, nem se usa. Branding não é fazer com que um consumidor escolha uma marca em vez da marca concorrente. É fazer com que um potencial consumidor perceba a marca como a única solução para o que ele busca.

“Uma marca tem de parecer um amigo.”
Howard Schultz
 - Starbucks

Traçando um paralelo com a vida da gente, não é muito diferente. Algumas pessoas também têm sua marca. São lembradas pela forma como tratam os outros, pela qualidade do seu trabalho, por uma sensação que deixam quando vão embora. Eu acredito muito na minha marca pessoal, mas agora pude perceber o quanto ela andou esquecida e judiada nos últimos tempos. Minha revolução pessoal, assim como a chamada crise instaurada no mundo, só me deu chance de sobreviver.

Justamente o contrário do que disse o presidente da agência na semana passada: viva.

No words

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The Beatles: Rock Band