Hoje eu estava no elevador do prédio em que trabalho com dois sujeitos falando entre si sobre os presentes do Dia dos Namorados.
Um deles estava contando que daria um CD. O outro perguntou: "Ué, mas você não baixa música na internet?". E o primeiro: "Ah, é difícil eu entrar no computador quando estou em casa, meus filhos que costumam fazer essas coisas. E eu acho legal dar um CD."
Fiquei pensando um tempo sobre a frieza de dar um CD. Não que a mídia analógica não tenha seu charme, e nem é por culpa da pirataria descarada que hoje é tão acessível a tudo e todos. Mas me lembrei do tempo em que, quando ninguém sabia o que dar de presente para uma pessoa chata do trabalho, a solução era sempre um CD.
Acho que culpar a tecnologia pela transformação do mundo é uma coisa muito demodê. As coisas perdem ou ganham seu espaço pelo que elas representam e pela forma como são ou deixam de ser usadas. E isso vem das pessoas, não das máquinas.
É isso. Eu hoje tô preferindo uma mix tape (que pode ser até no iPod). Fica a dica, rá.
Eduardo Botão e Mônica Godard
Esses são os nomes que o casal mais famoso da música da Legião Urbana tem no Facebook. Tudo isso faz parte de uma campanha da Vivo para o Dia dos Namorados e criada aqui na agência.
Já sei, já sei... estou esperando as críticas advindas dos sites especializados em música, em Legião, em Renato Russo, em publicidade. Vão falar coisas. Vão elogiar politicamente, e depois descer a lenha. Mas, ó, quer saber? Não vão me fazer esquecer de uma das manhãs mais legais que passei no trabalho, quando, ainda meio incrédula, vi pela primeira vez com os olhos os personagens que há 25 anos povoam meu coração.
Já sei, já sei... estou esperando as críticas advindas dos sites especializados em música, em Legião, em Renato Russo, em publicidade. Vão falar coisas. Vão elogiar politicamente, e depois descer a lenha. Mas, ó, quer saber? Não vão me fazer esquecer de uma das manhãs mais legais que passei no trabalho, quando, ainda meio incrédula, vi pela primeira vez com os olhos os personagens que há 25 anos povoam meu coração.
Nota de esclarecimento
Então é isso. Eu me afastei do blog porque fiquei com medo. Eu andei tão medrosa de gente me desejar mal pelo espaço internético, que, bundona que fui, deixei de lado meu primeiro blog, o que me ensinou a lidar com gente estranha que lê minhas palavras e assina ou não embaixo. Vê se pode. Eu cedi - como tenho feito há uns poucos anos - em função de não ter mais dor de cabeça ou ameaça de mandinga vinda do lado de lá.
Besteirol. Porque quando escrevo sou mais forte e organizo as ideias. E é por isso que vou voltar!
Não tenho mais medo, não.
Besteirol. Porque quando escrevo sou mais forte e organizo as ideias. E é por isso que vou voltar!
Não tenho mais medo, não.
Job dos sonhos
Estou sumida, sim. Mas só porque tenho andada ocupada com muito trabalho, projetos novos e sei lá mil coisas...
Uma amostra disso foi meu último sábado, que passei na Zazou escolhendo roupas muito legais que tivessem conexão com a dança. Em breve um post com todos os detalhes!



Fotos by Lidi Lopez
Uma amostra disso foi meu último sábado, que passei na Zazou escolhendo roupas muito legais que tivessem conexão com a dança. Em breve um post com todos os detalhes!



Fotos by Lidi Lopez
Planos para 2011
Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.
Duas coisas estão encaminhadas. Já a outra... vai esperar um pouquinho!
Duas coisas estão encaminhadas. Já a outra... vai esperar um pouquinho!
Martha Medeiros na Globo
Quem não leu leia. Quem não viu veja.
Mas ninguém pode passar impune ao texto de Martha Medeiros que a Globo tá exibindo nesse minuto em forma do filme Divã. Muito bom mesmo.
Para lembrar, o melhor pedaço tá aqui.
Feliz ano novo!
Mas ninguém pode passar impune ao texto de Martha Medeiros que a Globo tá exibindo nesse minuto em forma do filme Divã. Muito bom mesmo.
Para lembrar, o melhor pedaço tá aqui.
Feliz ano novo!
Fome!
Eu tenho fome. Sim. E, muitas vezes no meu dia, não é a fome do corpo. É da alma.
Tenho fome de gostos que ainda não experimentei e de lugares que não visitei. Tenho fome de aventuras, fome de vida.
Quanto à comida mesmo, tenho alguns desejos banais, como o de agora, de comer pão com presunto e queijo. Mas aquele pão de festa de aniversário de gente grande, que não sei o nome. Um pão fofinho, nem doce nem salgado.
Fome. Vácuo.
Eu acho que ando muito contida nas minhas vontades e isso deve ter um lado bom. Não é assim? Quando a gente controla a fome, não emagrece? Mas, cá entre nós, não quero emagrecer na alma, não. E por isso fico revoltada de segurar meus instintos e minha vontade enorme de berrar que tenho fome porque ando sentindo falta de muitas coisas.
Vou jantar. Quem sabe passa.
Tenho fome de gostos que ainda não experimentei e de lugares que não visitei. Tenho fome de aventuras, fome de vida.
Quanto à comida mesmo, tenho alguns desejos banais, como o de agora, de comer pão com presunto e queijo. Mas aquele pão de festa de aniversário de gente grande, que não sei o nome. Um pão fofinho, nem doce nem salgado.
Fome. Vácuo.
Eu acho que ando muito contida nas minhas vontades e isso deve ter um lado bom. Não é assim? Quando a gente controla a fome, não emagrece? Mas, cá entre nós, não quero emagrecer na alma, não. E por isso fico revoltada de segurar meus instintos e minha vontade enorme de berrar que tenho fome porque ando sentindo falta de muitas coisas.
Vou jantar. Quem sabe passa.
Diagnóstico de uma geração
Fico me perguntando às vezes se estou realmente passando por um momento histórico na grande história do mundo. Tipo uma revolução industrial, só que agora tecnológica ou das comunicações.
Será que os caras que viveram na Inglatera do século 18 se deram conta, naquele momento, que o mundo nunca mais seria o mesmo ou eles simplesmente acordavam, iam trabalhar, cuidavam dos filhos, da casa e pensavam "nossa, que dia!", doidos para o fim de semana chegar e poder dar aquela bodeada no sofá?
Ao mesmo tempo em que posso estar sendo testemunha ocular de uma coisa que nunca mais vai se repetir, essa grande revolução consome todo o nosso tempo de saborear o momento. Tudo é um paradoxo. Ao menos hoje sei disso. E taí um bom começo.
O filme 'We All Want to Be Young' é o resultado de diversos estudos realizados pela BOX1824 nos últimos 5 anos e retrata bem nosso zeitgeist. A BOX1824 é uma empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo.
Será que os caras que viveram na Inglatera do século 18 se deram conta, naquele momento, que o mundo nunca mais seria o mesmo ou eles simplesmente acordavam, iam trabalhar, cuidavam dos filhos, da casa e pensavam "nossa, que dia!", doidos para o fim de semana chegar e poder dar aquela bodeada no sofá?
Ao mesmo tempo em que posso estar sendo testemunha ocular de uma coisa que nunca mais vai se repetir, essa grande revolução consome todo o nosso tempo de saborear o momento. Tudo é um paradoxo. Ao menos hoje sei disso. E taí um bom começo.
O filme 'We All Want to Be Young' é o resultado de diversos estudos realizados pela BOX1824 nos últimos 5 anos e retrata bem nosso zeitgeist. A BOX1824 é uma empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo.
As cidades e o mundo
Cheguei de férias há algumas semanas e de fato elas me fizeram muito bem, como sempre. É muito bom viajar, é ótimo chegar em casa e cuidar das coisas com mais tempo também.
Acho que sair um pouco da rotina e ir a lugares por onde você nunca andou são coisas milagrosas. Quando você viaja, uma das coisas mais bacanas que acontecem é o aguçar dos sentidos. Os olhos ficam prontos e buscam cores diferentes. O cheiro e o sabor das coisas são outros. As texturas, os ruídos.
E acho que voltei um pouco assim para o meu Brasil, bem no auge das eleições para presidente. Sem fazer nenhum tipo de política, eu vi muita coisa legal, muita brincadeira engraçada e gente verdadeiramente envolvida com a coisa. Mas eu vi muita brincadeira preconceituosa, machista, sexista e racista também. Se tem uma coisa que me irrita de verdade é ver brasileiro falando que mal do próprio país, das pessoas aqui. Coloco no mesmo time das pessoas que falam mal dos americanos, dos franceses, dos italianos. Não existe um povo ruim. Existem pessoas e existem diferenças. Chatos de verdade são aqueles que não querem conviver com isso. Para essas pessoas, recomendo ir morar no Polo Norte, num iglu, nunca mais comer macarronada, nem usar perfume francês ou ouvir músicas americanas.

Acho que sair um pouco da rotina e ir a lugares por onde você nunca andou são coisas milagrosas. Quando você viaja, uma das coisas mais bacanas que acontecem é o aguçar dos sentidos. Os olhos ficam prontos e buscam cores diferentes. O cheiro e o sabor das coisas são outros. As texturas, os ruídos.
E acho que voltei um pouco assim para o meu Brasil, bem no auge das eleições para presidente. Sem fazer nenhum tipo de política, eu vi muita coisa legal, muita brincadeira engraçada e gente verdadeiramente envolvida com a coisa. Mas eu vi muita brincadeira preconceituosa, machista, sexista e racista também. Se tem uma coisa que me irrita de verdade é ver brasileiro falando que mal do próprio país, das pessoas aqui. Coloco no mesmo time das pessoas que falam mal dos americanos, dos franceses, dos italianos. Não existe um povo ruim. Existem pessoas e existem diferenças. Chatos de verdade são aqueles que não querem conviver com isso. Para essas pessoas, recomendo ir morar no Polo Norte, num iglu, nunca mais comer macarronada, nem usar perfume francês ou ouvir músicas americanas.

Souvenir de Buenos Aires para meus leitores. Fotinho tirada por mim.
A letra A
"O que os outros pensam da sua vida não é da sua conta". É com essa afirmação, tirada de uma bem-humorada lista de conselhos para a vida, que começo o post que vai tirar o pó do Diário.
Quando eu sumo daqui, geralmente isso significa que a minha vida está uma correria. E geralmente porque a correria me impede de pensar. Acontece isso com você também? De ter tanta, mas tanta coisa para fazer que deixa passar batido um bom livro, um bom filme. Ou horas de reflexão (vai, minutos que sejam) porque a vida urge lá fora e as pessoas estão sempre esperando por você.
Claro que em outros momentos vem a vontade de não pensar. De ler Caras descaradamente no salão de beleza. Dar mais importância para o site Ego do que para as eleições, porque sua cabecinha já fez muitos planos para salvar o mundo ou você ainda está se recuperando do maior baque da sua vida e só quer saber de não pensar.
Bom, mas passadas as opções 1 e 2 aí de cima, eu declaro ao mundo que voltei ao normal. Meu plexo solar está em equilíbrio e recomecei a respirar antes de sair chutando mais que Van Damme em dia de tocaia. E com isso veio a vontade de ler e assistir a bons filmes. E a pensar sobre eles.
Juliet Nua e Crua está no criado-mudo esperando acabar Doidas e Santas. E o ótimo El Secreto de tus Ojos, filme argentino vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, me trouxe até aqui.
Atenção, os próximos parágrafos contêm spoilers (e essa afirmação contém ironia).
Benjamin, vivido pelo ótimo Ricardo Darín, é um oficial de justiça aposentado que decide escrever um romance sobre um caso que investigou em 1974. Trata-se do assassinato de uma jovem e da incansável busca pelo assassino, localizado por um olhar em uma antiga fotografia. Quando Benjamin decide colocar a história no papel, reencontra Irene, sua ex-chefe e companheira de trabalho. E ela lhe dá uma antiga máquina de escrever, que não grafa a letra A no papel.
É sobre isso que eu quero falar aqui e, se você ainda não viu o filme, saia da internet, procure-o imediatamente e todos ganharemos com isso. Benjamim e Irene têm uma história de amor bem mal resolvida. Daquelas de dar raiva e de a gente ficar se perguntando o tempo todo por que ninguém fez nada ali. Por que ele nunca disse que a amava? Por que ela se casou? Por que ele foi embora? Por que ela deixou? Todos os elementos de uma grande vida a dois estavam ali e eles nunca fizeram nada por ela.
Mas é aí que eu entro com o meu pensamento e alguma experiência no setor que a vida me trouxe. O amor que a gente busca é danado da vida. Quer garantias. E isso represa um monte de sentimentos que poderiam ser vividos e não são. Mas, ao mesmo tempo, um certo medo e cuidado, com uma coisa que sabe-se ser especial, torna tudo menos banal. Por medo a história não é vivida, mas é preservada.
Eu já vi isso acontecer. Acho que quando a gente é adolescente e faz qualquer negócio porque tá a fim de um carinha, na verdade está vivendo mais para o drama do que por uma pessoa real. Ao contrário, quando a gente ganha alguma maturidade, tem medo de perder alguém que se ama muito, e o preço disso é deixar passar, até que um dia a coragem chegue ou então que tudo vire filme, música, um post no blog.
Quando eu estava no colegial, dois amigos meus eram também muito amigos entre eles. Um menino e uma menina que gostavam de fazer tudo juntos. Um dia ele se declarou para ela. Acabou. Nem amigos eles conseguiram ser mais. Foi muito triste. Comigo já aconteceu o contrário, que atire a primeira pedra quem nunca teve medo dos seus próprios sentimentos.
Voltando a falar da velha máquina de escrever e contando aqui o final do filme, em uma madrugada Benjamin acorda e escreve em um papel em branco o que a gente julga ser seu sentimento mais forte em relação a Irene:
TEMO.
Mas lembrem-se: a velha Olivetti não grafava a letra A.
Quando eu sumo daqui, geralmente isso significa que a minha vida está uma correria. E geralmente porque a correria me impede de pensar. Acontece isso com você também? De ter tanta, mas tanta coisa para fazer que deixa passar batido um bom livro, um bom filme. Ou horas de reflexão (vai, minutos que sejam) porque a vida urge lá fora e as pessoas estão sempre esperando por você.
Claro que em outros momentos vem a vontade de não pensar. De ler Caras descaradamente no salão de beleza. Dar mais importância para o site Ego do que para as eleições, porque sua cabecinha já fez muitos planos para salvar o mundo ou você ainda está se recuperando do maior baque da sua vida e só quer saber de não pensar.
Bom, mas passadas as opções 1 e 2 aí de cima, eu declaro ao mundo que voltei ao normal. Meu plexo solar está em equilíbrio e recomecei a respirar antes de sair chutando mais que Van Damme em dia de tocaia. E com isso veio a vontade de ler e assistir a bons filmes. E a pensar sobre eles.
Juliet Nua e Crua está no criado-mudo esperando acabar Doidas e Santas. E o ótimo El Secreto de tus Ojos, filme argentino vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, me trouxe até aqui.
Atenção, os próximos parágrafos contêm spoilers (e essa afirmação contém ironia).
Benjamin, vivido pelo ótimo Ricardo Darín, é um oficial de justiça aposentado que decide escrever um romance sobre um caso que investigou em 1974. Trata-se do assassinato de uma jovem e da incansável busca pelo assassino, localizado por um olhar em uma antiga fotografia. Quando Benjamin decide colocar a história no papel, reencontra Irene, sua ex-chefe e companheira de trabalho. E ela lhe dá uma antiga máquina de escrever, que não grafa a letra A no papel.
É sobre isso que eu quero falar aqui e, se você ainda não viu o filme, saia da internet, procure-o imediatamente e todos ganharemos com isso. Benjamim e Irene têm uma história de amor bem mal resolvida. Daquelas de dar raiva e de a gente ficar se perguntando o tempo todo por que ninguém fez nada ali. Por que ele nunca disse que a amava? Por que ela se casou? Por que ele foi embora? Por que ela deixou? Todos os elementos de uma grande vida a dois estavam ali e eles nunca fizeram nada por ela.
Mas é aí que eu entro com o meu pensamento e alguma experiência no setor que a vida me trouxe. O amor que a gente busca é danado da vida. Quer garantias. E isso represa um monte de sentimentos que poderiam ser vividos e não são. Mas, ao mesmo tempo, um certo medo e cuidado, com uma coisa que sabe-se ser especial, torna tudo menos banal. Por medo a história não é vivida, mas é preservada.
Eu já vi isso acontecer. Acho que quando a gente é adolescente e faz qualquer negócio porque tá a fim de um carinha, na verdade está vivendo mais para o drama do que por uma pessoa real. Ao contrário, quando a gente ganha alguma maturidade, tem medo de perder alguém que se ama muito, e o preço disso é deixar passar, até que um dia a coragem chegue ou então que tudo vire filme, música, um post no blog.
Quando eu estava no colegial, dois amigos meus eram também muito amigos entre eles. Um menino e uma menina que gostavam de fazer tudo juntos. Um dia ele se declarou para ela. Acabou. Nem amigos eles conseguiram ser mais. Foi muito triste. Comigo já aconteceu o contrário, que atire a primeira pedra quem nunca teve medo dos seus próprios sentimentos.
Voltando a falar da velha máquina de escrever e contando aqui o final do filme, em uma madrugada Benjamin acorda e escreve em um papel em branco o que a gente julga ser seu sentimento mais forte em relação a Irene:
TEMO.
Mas lembrem-se: a velha Olivetti não grafava a letra A.
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