Eu no YouTube

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Foi no sábado e a gravação, gentilmente feita pelo namorido, não é das melhores. Mas é uma prova de que o diclofenaco faz maravilhas com a musculatura de uma bailarina (não tentem fazer isso em casa).



Uma música para Ana

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Pode falar, é bacana no máximo ter uma música que fale do seu nome. Bom, pelo menos desde que você não se chame Sílvia e esteja pensando naquela música safada do Camisa de Vênus. Dependendo também do tipo de Sílvia que você for.
Mas o fato é que me mandaram esses dias um mp3 de uma banda chamada Faichecleres com o singelo nome de Aninha Sem Tesão. E venho aqui protestar. Mas veja a letra, antes de mais nada:

Sempre que eu chego mais perto
Você pede pra eu parar

Vem cheia de "não me toques"
"cachorro, tira as mãos de mim"
e não dá, não há tempo a perder

Pois sei que fantasias sujas
explodem dentro de você,
cansei, cansei de me humilhar

e agora nem que seja à força,
nem que chore sem parar,
ninguém vai te ouvir gritar

Aninha sem tesão, não vejo condição, é superficial
e a minha intenção é te dar meu coração, e não te fazer mal
eu bebo teu licor, Aninha sem pudor, tu come meu mingau au au
não vai fazer dodói

Quero mais que andar de mão com você por aí
Bom rapaz, mas não um otário que morra por ti


Bom, vamos analisar profundamente essa coisa aí. Medo. Muito medo dos rapazes que criaram a maravilha (pior é que gosto do som, gente). Medo porque eles conseguiram me fazer ficar cantarolando por dias a narração de um estupro. E contra mim, céus! Mas tenho que dizer aos mocinhos de plantão, desde que passei a ser conhecida como Aninha e me senti no direito de defender todas as Aninhas sem tesão do mundo, que o problema não é falta de tesão, minha gente. O problema é a falta de pegada. Como é que você vai sair com um cara que te fala "você come meu mingau" e "não vai fazer dodói"? Meninos, acordem. É fato comprovado que mulher amadurece (sim, tipo fruta) muito antes. Então se você quer se dar bem com a mulherada, arranje outro vocabulário. Mas pode ficar com o visual dos Faichecleres, que é bem moderninho e bacana. Ah, e antes que eu me esqueça, "mas não um otário que morra por ti" é uma das coisas mais brochantes que ouvi nos últimos tempos.

Vejam outro exemplo sórdido:

Ana (Roberto Carlos)

Todo tempo que eu vivi,
procurando o meu caminho
Só cheguei à conclusão
que eu não vou achar sozinho
Oh, Ana
que saudade de você
Toda essa vida errada
que eu vivo até agora
começou naquele dia
Quando você foi embora
Oh Ana
Ana
Que saudade de você

Ana eu me lembro com saudade
do nosso tempo, nosso amor, nossa alegria
Agora só te vejo nos meus sonhos
e quando acordo minha vida é tão vazia
Oh Ana
Ana
que saudade de você


Pára tudo que o rei enlouqueceu. Tá, ok, é lindo um cara ter tanta saudade de você e ainda admitir isso. Mas jogar a responsabilidade de viver uma vida errada nas suas costas, porque provavelmente você percebeu que o cara era um traste e que não ia mudar nunca, é um erro fatal. Fofos, as pessoas se apaixonam pelo que você é e pelas coisas que você faz, e não pelo que você diz que vai ser um dia ou que seria se alguma coisa acontecesse.

Mas ainda tem mais: em uma época muito remota, eu ouvia Engenheiros do Hawaii. Vamos lá, todo mundo tem um passado negro. E morria de arrepios quando eles gritavam Refrão de um Bolero na FM.

Eu que falei:
"Nem pensar"
Agora eu me arrependo
Roendo as unhas
Frágeis testemunhas
De um crime sem perdão

Mas eu falei sem pensar
Coração na mão
Como refrão de bolero
Eu fui sincero
Como não se pode ser

Um erro assim, tão vulgar
Nos persegue a noite inteira
E quando acaba a bebedeira
Ele consegue nos achar

Num bar!

Com um vinho barato
Um cigarro no cinzeiro
E uma cara embriagada
No espelho do banheiro

Ana, teus lábios são
Labirintos, Ana!
Que atraem os meus
Instintos mais sacanas
O teu olhar sempre distante
Sempre me engana

Ana, teus lábios são
Labirintos, Ana!
Eu sigo tua pista
Todo dia da semana
Eu entro sempre
Na tua dança de cigana


O pior de tudo é que continuo gostando dela. Mas meu senso de ridículo sabe que isso é porque ela me remete a tempos bons em que não havia a menor hipótese de eu cometer nenhuma asneira grave e que, se alguém se acabasse por minha causa, no máximo seria com um vinho Gazzi na mão. Opa, ou não, pensando bem. Mas isso não vem ao caso. O fato é que dança de cigana está fora de cogitação. Afe, ou não também. Jesus, a música faz sentido. Mas abafa o caso.

Vamos passar para a próxima. Só um pedacinho, porque essa é grande e, definitivamente, não vale a pena, mesmo sendo do Chico:

Sou Ana do dique e das docas
Da compra, da venda, da troca das pernas
Dos braços, das bocas, do lixo, dos bichos, das fichas
Sou Ana das loucas
Até amanhã
Sou Ana, da cama
Da cana, fulana, sacana
Sou Ana de Amsterdam


Linda, como todas as músicas do Chico. Mas nessas horas eu preferia me chamar Luísa, Beatriz (como já me disseram) Angélica ou Carolina. Não, eu queria mesmo era me chamar Joana. A francesa.

Se até meus queridinhos Los Hermanos tentaram, a sorte virou contra eles e Anna Júlia virou um chiclete melódico, verdadeira maldição que se abateu sobre os irmãos, e que nem preciso colocar a letra aqui pois aposto um pacote de 7 Belo que você sabe a letra de cor mesmo não gostando da banda. Pobres.

A Ana mais famosa nas letras internacionais dos últimos tempos não é uma mulher de verdade. Gosto bastante de Ana’s Song, do Silverchair, com sua letra sofrida e exagerada, mas sei que o tema aqui é outro e melhor não falar disso:

Please die Ana
For as long as you're here we're not
You make the sound of laughter
and sharpened nails seem softer

And I need you now somehow
and I need you now somehow

Open fire on the needs designed
On my knees for you
Open fire on my knees desires
What I need from you

Imagine pageant
In my head the flesh seems thicker
Sandpaper tears corrode the film

And you're my obsession
I love you to the bones
And Ana wrecks your life
Like an Anorexia life


Bom, não sobra muita música bonita com meu nome verdadeiro. Talvez Tequila tenha mais sorte ou menos exigências. Alguém aí se habilita?

Popularidade

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Dança Ourinhos 2007

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Jamais esquecerei
os braços de Ana.

Soltos no ar
numa sensual simetria
de serpentes
ateavam fogo ao palco
incendiando a música e a dança
invertebradamente.

Seus pés
igualmente inesquecíveis
vestidos de pássaros azuis
desafiavam a gravidade
dos linóleos.

Neste céu de sapatilhas
que sobrevoavam meus olhos
minhalma bailarina
aos seus encantos se rendeu:
aquela dança não era apenas
um majestoso pas-de-deux
mas um etéreo e eterno
pas de Deus.

(Carlos Dimuro)



Paty mandou

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Rapidinhas para quem se importa com minha vida

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Tá faltando tempo e sobrando assunto, então vamos às novidades que não devem interessar à ninguém na Terra, mas que talvez possam me servir de lembrança num futuro distante (tô pegando essa mania do Xis ou do Raoní?).

- Trabalhei o fim de semana feito um dromedário. Entrei na agência na sexta de manhã e saí no sábado cedo. Voltei no domingo à tarde e fiquei até a noite.

- No intervalo entre revisar malditos materiais para dentistas em espanhol e uma lista de 4 páginas de jornal cheias de nomes em corpo 6, eu recebi visitas muito especiais em casa: Vanina, Fê Gomes e o Xis, devidamente acompanhados de seus pares.

- Andei, pela primeira vez na vida, de helicóptero, graças a um amigo dos amigos que também apareceu em casa.

- Cheguei segunda-feira no trabalho e minha chefe veio me contar que um material que eu não tinha revisado apareceu com erro e estavam reclamando do meu departamento. Justo, já que eu não tinha visto. Mas agora tenho certeza que falta muito job para algumas pessoas dessa espelunca.

- Hoje mais um bando formado por um consumidor desocupado e um cliente burro mandou um e-mail para a agência reclamando de um texto, e sugerido (impondo, na verdade) algumas alterações do tipo "troque 6 por meia-dúzia que vai ficar muito melhor". Tive que passar a tarde escrevendo um texto de defesa e faço questão de publicar abaixo alguns trechos:

"Fulano do Atendimento, seguem minhas considerações sobre o e-mail recebido pelo cliente: a sugestão de alteração do trecho “agências de publicidade, modelos e atores” poderia confundir o leitor e levá-lo à interpretação equivocada de que uma só agência teria os três tipos de serviços/profissionais. Por isso o texto, como foi veiculado, é apropriado e está de acordo com as formas pelas quais as agências são conhecidas: agências de publicidade, agências de modelo (singular) e agências de atores.

Quantos aos verbos “captarem” e “utilizarem”, são casos de infinitivo flexionado, idiomatismo da língua portuguesa, ou seja, fenômeno característico, típico de nossa língua, embora não seja exclusivo dela.

No texto do seu cliente, podemos usar o infinitivo flexionado justamente para desfazer possíveis ambigüidades. Há bastante controvérsia, mesmo entre os gramáticos, acerca desse assunto, porém ninguém deve ser dogmático ou autoritário a ponto de tachar de errado o período que não siga estritamente a norma culta, pois o contrário nem sempre fica mal. “O emprego do infinitivo, flexionado ou não, depende da situação estilística”, diz a Academia Brasileira de Letras.

Finalmente, quanto a colocar “programas de televisão” no singular, talvez tenha sido feita a seguinte leitura: qualquer revista, (qualquer) jornal, (qualquer) programa de televisão, (?) internet... Acreditamos que é uma possibilidade; porém, da maneira como o redator colocou, a leitura é outra: qualquer revista, (qualquer) jornal, (em) programas de televisão, (na) internet... Preposições podem ser omitidas, principalmente na linguagem coloquial.

Para encerrar, gostaríamos de lembrar que a linguagem da propaganda se aproxima muito da fala e que questões como essas são válidas, porém nem sempre pertinentes."


- Para acabar com o dia, inventaram de criar uma licença publicitária (leia-se palhaçada) e trocaram a grafia do nome de uma marca para a nova campanha de outro cliente daqui. Vamos apostar que ainda vou ter que escrever alguma coisa defendendo essa brilhante criação?

- Meu amigo Maurício está chique e famoso, publicando uma coluna no iG. Entrem e comentem ou ele vai ficar choramingando no MSN que as pessoas nunca o ajudaram a galgar as escadas do sucesso: igjovem.ig.com.br/humor/
(No momento em que gentilmente eu falava dele aqui, começou a choradeira: "Aninha, vc tem que divulgar com um texto tipo: eu participei e muito da vida desse menino. Hoje ele é um talento da redação. Como vcs, do Rio de Janeiro para o mundo, Mauricio Meirelles.")

- Tenho 5 espetáculos de ballet agendados até o fim do ano. Dia 20 de outubro danço num concurso na sede do Banespa. Dia 11 de novembro danço no Sesc. Em 22 de novembro (dia do meu aniversário), me apresento numa escola da zona oeste. Em dezembro, danço pra escola onde dou aula dia 8 e como convidada numa montagem de Quebra-Nozes (farei a Fada Açucarada) dia 15. E no próximo feriado corro para um seminário de dança na cidade de Ourinhos. Amo muito tudo isso.

- No mais a vida tá indo bem. Ando feliz e contente e isso talvez seja sinal de que não dá pra ter tudo ao mesmo tempo e de que é bem capaz de eu ter aprendido a não me importar com isso e com as coisas pequenas. Saber ver um lado bom em tudo talvez seja sinal de maturidade. E segue o baile.

Tiazinha

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Acabo de ficar sabendo que vou ganhar um oitavo sobrinho. Haja ingresso pro Parque da Mônica!

Keep on Trocking

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Pronto, foi só receber o guia do fim de semana do Estadão, que quase tive uma síncope em casa. Além de ter me dado conta que não assisti a ótimos musicais que estão em cartaz na cidade, como My Fair Lady, Peter Pan e Miss Saigon, e depois de ter perdido a Hell's Kitchen, estou em pânico desde que descobri que Les Ballets Trockadero de Monte Carlo estarão se apresentando no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 18 e 19 de setembro.

Para quem não tem idéia do que estou falando, os Trocks surgiram, em 1974, no circuito off-Broadway de Nova York como um grupo de homens bailarinos que dançam, nas pontas dos pés, papéis exclusivamente femininos. Com técnica apurada, eles conseguem dar aos ballets clássicos de repertório maior virtuosismo, já que alguns passos, piruetas e saltos são considerados difíceis para mulheres, mas os homens fazem com facilidade. E daí nasce a piada, porque os bailarinos fazem cara de que nada está acontecendo enquanto "se jogam" nos papéis de Paquita ou Odete/Odile no Lago do Cisne, entre outros, com figurinos fiéis ao estilo, levando em conta a tradição clássica, mas com adereços inusitados e muito humor. E, o melhor, com um físico masculino usando sapatilha rosa tamanho 44!

É possível, por exemplo, ver um cisne se depenando todo, uma Paquita de óculos gatinho e as bailarinas do Grand Pas-de-Quatre de Pugni se provocando no palco tal qual Lucile Grahan, Carlotta Grisi, Fanny Cerrito e Marie Taglioni devem ter desejado fazer em 1845, quando esse ballet foi criado para elas, as maiores estrelas da época.

Há quem pense que tanta comédia e purpurina tenham feito do Trockadero uma companhia travestida e não muito séria. Grande engano. Os artistas têm formação profissional e fizeram parte de grandes companhias de dança de vários países. Mas agora se dividem papéis masculinos e femininos e adotam perfis como Velour Pilleaux/Ida Nevasayneva, nomes de guerra (e trocadilhos deliciosos) de Paul Ghiselin, um dos meus preferidos.

É comum os Trocks caírem das pontas ou dançarem contemporâneo ao som do estouro de papel-bolha, provocando todos os "segmentos" dançantes. Mas seja qual for a idéia, eles fazem mais ou menos o que querem e aquilo que todos que dançam fazem escondidos atrás das cortinas rindo muito. Verdadeira arte.


Amostra grátis de uma Morte do Cisne hilária, com a grande Ida Nevasayneva

O Alien dentro de mim

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Assinei um acordo de paz interior. Vamos ver até onde vai.

A todos

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A todos trato muito bem
sou cordial, educada, quase sensata,
mas nada me dá mais prazer
do que ser persona non grata
expulsa do paraíso
uma mulher sem juízo, que não se comove
com nada
cruel e refinada
que não merece ir pro céu, uma vilã de novela
mas bela, e até mesmo culta
estranha, com tantos amigos
e amada, bem vestida e respeitada
aqui entre nós
melhor que ser boazinha é não poder ser imitada.

(Preciso dizer de quem é o texto? Ok, sei que estou ficando repetitiva.)