Keep on Trocking

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Pronto, foi só receber o guia do fim de semana do Estadão, que quase tive uma síncope em casa. Além de ter me dado conta que não assisti a ótimos musicais que estão em cartaz na cidade, como My Fair Lady, Peter Pan e Miss Saigon, e depois de ter perdido a Hell's Kitchen, estou em pânico desde que descobri que Les Ballets Trockadero de Monte Carlo estarão se apresentando no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias 18 e 19 de setembro.

Para quem não tem idéia do que estou falando, os Trocks surgiram, em 1974, no circuito off-Broadway de Nova York como um grupo de homens bailarinos que dançam, nas pontas dos pés, papéis exclusivamente femininos. Com técnica apurada, eles conseguem dar aos ballets clássicos de repertório maior virtuosismo, já que alguns passos, piruetas e saltos são considerados difíceis para mulheres, mas os homens fazem com facilidade. E daí nasce a piada, porque os bailarinos fazem cara de que nada está acontecendo enquanto "se jogam" nos papéis de Paquita ou Odete/Odile no Lago do Cisne, entre outros, com figurinos fiéis ao estilo, levando em conta a tradição clássica, mas com adereços inusitados e muito humor. E, o melhor, com um físico masculino usando sapatilha rosa tamanho 44!

É possível, por exemplo, ver um cisne se depenando todo, uma Paquita de óculos gatinho e as bailarinas do Grand Pas-de-Quatre de Pugni se provocando no palco tal qual Lucile Grahan, Carlotta Grisi, Fanny Cerrito e Marie Taglioni devem ter desejado fazer em 1845, quando esse ballet foi criado para elas, as maiores estrelas da época.

Há quem pense que tanta comédia e purpurina tenham feito do Trockadero uma companhia travestida e não muito séria. Grande engano. Os artistas têm formação profissional e fizeram parte de grandes companhias de dança de vários países. Mas agora se dividem papéis masculinos e femininos e adotam perfis como Velour Pilleaux/Ida Nevasayneva, nomes de guerra (e trocadilhos deliciosos) de Paul Ghiselin, um dos meus preferidos.

É comum os Trocks caírem das pontas ou dançarem contemporâneo ao som do estouro de papel-bolha, provocando todos os "segmentos" dançantes. Mas seja qual for a idéia, eles fazem mais ou menos o que querem e aquilo que todos que dançam fazem escondidos atrás das cortinas rindo muito. Verdadeira arte.


Amostra grátis de uma Morte do Cisne hilária, com a grande Ida Nevasayneva

2 comentários:

Raoní Santos disse...

po que mto massa...engracado mesmo o video...e bonito mesmo aharmonia do movimento...dos bracos...sei la

sou mto leigo no assunto...nao gostaria de ser alienado, eu nunca facco questao de aprender nada sobre isso, mas sempre que vejo eu acho sensacional...ahahh vai entender...

eu ja dei uma procurada no google sobre os trocks parece ser algo bacana...

quem disse que ler blogs alheios nao eh algo edificante??

Beijos do leitor fiel tb!!!

Raoní Santos disse...

alias vi o video de novo....como um ser humando faz tudo isso na ponta do pé....mas que vida de entrega bailarinos profissionais devem ter...caraca