Planos para 2011

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Plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.
Duas coisas estão encaminhadas. Já a outra... vai esperar um pouquinho!

Martha Medeiros na Globo

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Quem não leu leia. Quem não viu veja.
Mas ninguém pode passar impune ao texto de Martha Medeiros que a Globo tá exibindo nesse minuto em forma do filme Divã. Muito bom mesmo.
Para lembrar, o melhor pedaço tá aqui.
Feliz ano novo!

Fome!

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Eu tenho fome. Sim. E, muitas vezes no meu dia, não é a fome do corpo. É da alma.
Tenho fome de gostos que ainda não experimentei e de lugares que não visitei. Tenho fome de aventuras, fome de vida.
Quanto à comida mesmo, tenho alguns desejos banais, como o de agora, de comer pão com presunto e queijo. Mas aquele pão de festa de aniversário de gente grande, que não sei o nome. Um pão fofinho, nem doce nem salgado.
Fome. Vácuo.
Eu acho que ando muito contida nas minhas vontades e isso deve ter um lado bom. Não é assim? Quando a gente controla a fome, não emagrece? Mas, cá entre nós, não quero emagrecer na alma, não. E por isso fico revoltada de segurar meus instintos e minha vontade enorme de berrar que tenho fome porque ando sentindo falta de muitas coisas.
Vou jantar. Quem sabe passa.

Diagnóstico de uma geração

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Fico me perguntando às vezes se estou realmente passando por um momento histórico na grande história do mundo. Tipo uma revolução industrial, só que agora tecnológica ou das comunicações.
Será que os caras que viveram na Inglatera do século 18 se deram conta, naquele momento, que o mundo nunca mais seria o mesmo ou eles simplesmente acordavam, iam trabalhar, cuidavam dos filhos, da casa e pensavam "nossa, que dia!", doidos para o fim de semana chegar e poder dar aquela bodeada no sofá?
Ao mesmo tempo em que posso estar sendo testemunha ocular de uma coisa que nunca mais vai se repetir, essa grande revolução consome todo o nosso tempo de saborear o momento. Tudo é um paradoxo. Ao menos hoje sei disso. E taí um bom começo.

O filme 'We All Want to Be Young' é o resultado de diversos estudos realizados pela BOX1824 nos últimos 5 anos e retrata bem nosso zeitgeist. A BOX1824 é uma empresa de pesquisa especializada em tendências de comportamento e consumo.

As cidades e o mundo

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Cheguei de férias há algumas semanas e de fato elas me fizeram muito bem, como sempre. É muito bom viajar, é ótimo chegar em casa e cuidar das coisas com mais tempo também.
Acho que sair um pouco da rotina e ir a lugares por onde você nunca andou são coisas milagrosas. Quando você viaja, uma das coisas mais bacanas que acontecem é o aguçar dos sentidos. Os olhos ficam prontos e buscam cores diferentes. O cheiro e o sabor das coisas são outros. As texturas, os ruídos.
E acho que voltei um pouco assim para o meu Brasil, bem no auge das eleições para presidente. Sem fazer nenhum tipo de política, eu vi muita coisa legal, muita brincadeira engraçada e gente verdadeiramente envolvida com a coisa. Mas eu vi muita brincadeira preconceituosa, machista, sexista e racista também. Se tem uma coisa que me irrita de verdade é ver brasileiro falando que mal do próprio país, das pessoas aqui. Coloco no mesmo time das pessoas que falam mal dos americanos, dos franceses, dos italianos. Não existe um povo ruim. Existem pessoas e existem diferenças. Chatos de verdade são aqueles que não querem conviver com isso. Para essas pessoas, recomendo ir morar no Polo Norte, num iglu, nunca mais comer macarronada, nem usar perfume francês ou ouvir músicas americanas.



Souvenir de Buenos Aires para meus leitores. Fotinho tirada por mim.

A letra A

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"O que os outros pensam da sua vida não é da sua conta". É com essa afirmação, tirada de uma bem-humorada lista de conselhos para a vida, que começo o post que vai tirar o pó do Diário.
Quando eu sumo daqui, geralmente isso significa que a minha vida está uma correria. E geralmente porque a correria me impede de pensar. Acontece isso com você também? De ter tanta, mas tanta coisa para fazer que deixa passar batido um bom livro, um bom filme. Ou horas de reflexão (vai, minutos que sejam) porque a vida urge lá fora e as pessoas estão sempre esperando por você.
Claro que em outros momentos vem a vontade de não pensar. De ler Caras descaradamente no salão de beleza. Dar mais importância para o site Ego do que para as eleições, porque sua cabecinha já fez muitos planos para salvar o mundo ou você ainda está se recuperando do maior baque da sua vida e só quer saber de não pensar.
Bom, mas passadas as opções 1 e 2 aí de cima, eu declaro ao mundo que voltei ao normal. Meu plexo solar está em equilíbrio e recomecei a respirar antes de sair chutando mais que Van Damme em dia de tocaia. E com isso veio a vontade de ler e assistir a bons filmes. E a pensar sobre eles.
Juliet Nua e Crua está no criado-mudo esperando acabar Doidas e Santas. E o ótimo El Secreto de tus Ojos, filme argentino vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, me trouxe até aqui.
Atenção, os próximos parágrafos contêm spoilers (e essa afirmação contém ironia).
Benjamin, vivido pelo ótimo Ricardo Darín, é um oficial de justiça aposentado que decide escrever um romance sobre um caso que investigou em 1974. Trata-se do assassinato de uma jovem e da incansável busca pelo assassino, localizado por um olhar em uma antiga fotografia. Quando Benjamin decide colocar a história no papel, reencontra Irene, sua ex-chefe e companheira de trabalho. E ela lhe dá uma antiga máquina de escrever, que não grafa a letra A no papel.
É sobre isso que eu quero falar aqui e, se você ainda não viu o filme, saia da internet, procure-o imediatamente e todos ganharemos com isso. Benjamim e Irene têm uma história de amor bem mal resolvida. Daquelas de dar raiva e de a gente ficar se perguntando o tempo todo por que ninguém fez nada ali. Por que ele nunca disse que a amava? Por que ela se casou? Por que ele foi embora? Por que ela deixou? Todos os elementos de uma grande vida a dois estavam ali e eles nunca fizeram nada por ela.
Mas é aí que eu entro com o meu pensamento e alguma experiência no setor que a vida me trouxe. O amor que a gente busca é danado da vida. Quer garantias. E isso represa um monte de sentimentos que poderiam ser vividos e não são. Mas, ao mesmo tempo, um certo medo e cuidado, com uma coisa que sabe-se ser especial, torna tudo menos banal. Por medo a história não é vivida, mas é preservada.
Eu já vi isso acontecer. Acho que quando a gente é adolescente e faz qualquer negócio porque tá a fim de um carinha, na verdade está vivendo mais para o drama do que por uma pessoa real. Ao contrário, quando a gente ganha alguma maturidade, tem medo de perder alguém que se ama muito, e o preço disso é deixar passar, até que um dia a coragem chegue ou então que tudo vire filme, música, um post no blog.
Quando eu estava no colegial, dois amigos meus eram também muito amigos entre eles. Um menino e uma menina que gostavam de fazer tudo juntos. Um dia ele se declarou para ela. Acabou. Nem amigos eles conseguiram ser mais. Foi muito triste. Comigo já aconteceu o contrário, que atire a primeira pedra quem nunca teve medo dos seus próprios sentimentos.
Voltando a falar da velha máquina de escrever e contando aqui o final do filme, em uma madrugada Benjamin acorda e escreve em um papel em branco o que a gente julga ser seu sentimento mais forte em relação a Irene:

TEMO.

Mas lembrem-se: a velha Olivetti não grafava a letra A.

Praça dos Cachorros

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Taí um lugar que eu adoro frequentar. Essa praça fica na frente da entrada principal do Parque Villa-Lobos, na zona oeste de São Paulo.
É perto da minha casa e Miss Piggy adora. Não sei se tem um horário de funcionamento estabelecido, mas no fim de semana os donos de cães (sempre muito bem comportados) levam seus bichos, de todas as raças, tamanhos e credos para ficarem soltos e interagindo por lá.
Como é um local cercado, o único perigo são os pequenos portões nas laterais, que costumam atrair labradores curiosos com a rua. Isso aconteceu no último sábado, mas todo mundo conseguiu trazer a bela fêmea para dentro de novo. Um susto. Para minha sorte, a corridinha gorda da Piggy no máximo me faz passar duas ou três vergonhas quando ela cisma com algum desafeto.
Nesse sábado estávamos lá, perdidos entre as brincadeiras e "malinducações" dela, quando um casal de meia-idade para mais passou pela gente, como sempre para falar sobre a raça e a cor da Piggy. A mulher contou que eles tinham uma sharpei, que tem a mesma origem dos pugs, chinesa. E que ela tinha morrido havia três ou quatro meses, não me lembro ao certo. O marido disse que eles costumam ir ao parque para matar a saudade da companheira de 12 longos anos. Ficamos sem palavras naquela hora. Mas agora confirmo meu pensamento de que as pessoas que gostam de animais são melhores seres humanos.


Seja um ser humano melhor. Vá à Praça dos Cachorros.

Casa nova

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Ufa! Faz um bom tempo que não trato o Diário como diário. Graças à fada da inspiração, no momento em que batizamos esse espaço, tratamos de incluir o ", mas nem tanto" no nome, que indicaria nossa total falta de compromisso tempo com o blog.
É que já temos problemas suficientes em nossas míseras vidinhas para ter que dar mais uma satisfação eletrônica, não?
E no meio de tanta coisa surgiu o Twitter. Que é uma forma reduzida de dar as caras. Tipo quando você não quer falar no telefone com alguém e manda um SMS.
Na verdade, estou passando para registrar que mudei de casa. Yes! Vida nova, que demorou tanto tempo para acontecer. Eu fiz um balanço dos meus últimos anos e, se espremer bastante, não sai muita coisa boa deles, não. Quer dizer, para o cidadão que vive na média e que tem aqueles planos bobos de casar, comprar casa e carro do ano, não fui exemplo. Mas tem tanta coisa boa do lado de dentro. Verdade! Eu tô muito mudada, é o máximo que consigo explicar. Deixei alguns medos no passado e simplesmente aceitei minha condição de pessoa que não é um ponto final. Mas muitas vírgulas, algumas exclamações e trocentas interrogações.
E deixando a filosofia barata de lado, eu queria mesmo é vir contar que apesar de todos os pesares (e da torcida contra - caramba, isso existe) eu tenho uma casa com um jardim! Não posso ser mais feliz hoje.

Stuff no-one told me

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Clica!

Divã

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Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada.
Eu sei, não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Talvez este seja o ponto. Talvez eu não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu pátio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória, sem sequelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.
Não era amor, era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. Não era amor, era melhor.

Martha Medeiros (mais alguém aí estava com saudade dela?)