A longevidade dos profissionais de propaganda

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Um médico saiu pra caminhar e viu a velhinha da foto sentada num banco fumando um cigarrinho.

Aproximou-se e perguntou:
- Nota-se que é tão feliz... qual é seu segredo??

Ela respondeu:
- Sou profissional de Propaganda, durmo às 4 da manhã revisando jobs, me levanto às 6 da manhã. Nos fins de semana não pratico esportes, não me divirto. Não tomo café da manhã, não almoço e nem janto porque não dá tempo.

O doutor então exclamou:
- Mas isso é extraordinário. Quantos anos a senhora tem?

- 49, lhe respondeu a velhinha!

Melhor do dia

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Eu tenho preguiça da língua portuguesa calcada em regras mais velhas que a minha avó. E tenho mais preguiça ainda de justificar as escolhas das palavras na minha profissão. Resumindo, publicidade é linguagem coloquial sem chutar o balde. Na maioria das vezes a gente tenta colocar a regra clássica, mas tem que ver se ela dialoga com o público. Como o professor Pasquale me disse uma vez: você pode transgredir a norma, desde que seja com propósito.

Não foi o caso de uma peça que liberamos aqui que tinha a palavra melhor antes de um particípio.

Lembrando: melhor pode ser adjetivo ou advérbio:

Adjetivo
1) que, por sua qualidade, caráter, valor, importância, é superior ao que lhe é comparado.
2) que possui o máximo de qualidades necessárias para satisfazer certos critérios de apreciação.

Advérbio
3) mais bem
4) de maneira mais perfeita
5) mais acertadamente
6) com mais exatidão
7) com mais consideração
8) fazendo com mais vista
9) aquilo que é superior
10) aquilo que é adequado

Aí, uma pessoa no Twitter vem falar que não existe empresa "melhor administrada". Pior, a pessoa pede pro dono da agência contratar um revisor.

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Segundo o Dicionário de Dificuldades da Língua Portuguesa, do professor Domingos Paschoal Cegalla, à página 256, “antes de particípio, pode se empregar mais bem ou melhor, indiferentemente”:

Ele está mais bem informado / Ele está melhor informado
Eram casas mais bem construídas / Eram casas melhor construídas

A forma clássica, original, é a não contraída: o time mais bem colocado, as questões mais bem aceitas, a frase mais bem elaborada, os políticos mais bem instruídos. No entanto, pelo fato de mais bem ser sintetizado para melhor, a expressão se transformou com o tempo, e hoje se admite o uso de "melhor" em construções como estas:

O time que for melhor colocado terá privilégios.
Parece que agora os papéis estão melhor distribuídos em termos sociais.

Quando a pessoa tuitou sua mensagem, poderia estar com a melhor das intenções. Ou mais bem intencionada. Ou melhor intencionada, que o texto é meu e eu coloco como quiser. O fato é que não se chama de erro de português algo que gramáticos de peso já aceitam. A reforma ortográfica está aí para provar que os tempos são outros, minha gente!

Love, love, love

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Sobre o tempo

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O terremoto do Chile pode ter encurtado o dia em cerca de 1,26 microssegundos (um microssegundo equivale a um milionésimo de segundo). Prefiro não entender a fórmula que os cientistas usaram para fazer esse cálculo, porque, sendo bem sincera, eu desistiria da explicação num tempo aproximado a esse.
Na verdade um outro terremoto, o da Indonésia, teria encurtado o período de cada dia em 6,8 microssegundos e alterado o eixo da Terra em 2,32 miliarcsegundos (cerca de 7 centímetros, ou 2,76 polegadas).

Coisa pouca, mas que daqui a alguns anos pode fazer diferença. Pra ser bem sincera, já tô sentindo falta de qualquer coisa que seja relativa ao tempo. Foda-se o nome ou os números disso, mas a correria que anda minha vida tá digna de simplesmente não conseguir mais falar ao telefone, que era uma coisa que eu adorava. Sim, porque ou atendo o telefone ou almoço. Como dieta está fora de cogitação no momento (sim, tô proibida disso), tenho desenvolvido a estranha capacidade de mastigar enquanto leio e-mails, mando um texto que estava atrasado e fico sabendo como andam as coisas na família.

Também virei ninja na arte de conversar por chat. Juro, tem dia que são tantas janelinhas e abas piscando pra mim que fico imaginando como deve ser a vida de alguém mais interessante.
Mas não reclamo, não. Eu adoro conversar. Gosto de colocar no papel, no computador ou mesmo de jogar ao vento as coisas que penso e despenso a todo momento.

E é por isso que estou simplesmente envolvida em pelo menos cinco novos projetos (sempre quis falar isso, acho 'lusho'). É que é muito cedo para aprender a dizer não.

Carnaval

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O que eu acho é o seguinte: todo mundo precisa aprender a virar a página. E isso define os bons leitores. Em tempos de novas mídias, redes, comunidades, as pessoas insistem em apontar seus cursores para as mesmas coisas, o que é uma verdadeira contradição. Ora, pois, não seria o momento de ver o novo, escrever outra história, principalmente se for a SUA história?

Conheço gente que vive como num disco quebrado, e não estou aqui para julgar ninguém, mas mesmo um vinil enroscado no velho toca-discos perde o charme depois de um tempo.

Aproveite o carnaval. Faça os pedidos que o ano-novo não atendeu e que eles estejam baseados em suas próprias escolhas, e não no que lhe sobrou.

Os verbos e eu

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Cansei dos verbos imperativos. É sério.
O modo imperativo dos verbos é aquele que exprime ideias de ordem: Faça, seja, não faça, não seja. Imperar, mandar, ordenar. Que coisa mais ditadora com a vida da gente!
Acredito que todo mundo escute ao menos uma dezena de verbos imperativos todos os dias. E desde sempre.
Quando a gente ainda nem entende a força da palavra, por exemplo. A mãe bota o bebê no colo e já lasca um "nana, nenê". Assim, mandando mesmo. Caracoles, e se o cara não tá a fim de fazer naninha? Sabe? Pode estar a fim de ver um desenho na TV, ou de ficar viajando no móbile que fica acima berço.
Mas ok, alguém disse que temos que ter limites, horários, regras.
Daí vamos crescendo e os imperativos imperam de vez: "leve o casaco", "faça a lição", "chegue no horário", "não beba"!
Não sou uma pessoa que sempre fez tudo o que deu na telha, e acredito que um pouco de ordem é fundamental para não despirocar de vez. Mas a gente passa a vida inteira sendo mandado para chegar um dia e ter a liberdade de não fazer o que sempre quisemos! Porque os imperativos não deixam. Ecoam fundo em nossas almas, acorrentadas para sempre às terminações implacáveis desses verbos.
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas pelo verbo na expressão de um fato. Em português, existem três: indicativo (certeza, realidade), subjuntivo (possibilidade) e o imperativo.
Preciso confessar que, hoje, o que me comanda e o que me dá certezas é saber que a vida é feita de dúvidas mil e possibilidades infinitas.

"Reze pelo Haiti"

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Caro terremoto,

Você não podia ter escolhido pior hora e lugar, não é?
No comecinho do ano, quando a gente ainda está tão
cheio de esperança.
E no Haiti, em um lugar já tão pobre e sofrido.
Para quê, me diga?
Bom, em parte, você conseguiu: estamos devastados.
Diante de tanta ruína, de tantas mortes, de tanta dor.
Mas saiba de uma coisa, senhor terremoto.
Toda a sua fúria, todo o seu poder, não abalou em nada,
nem chegou a trincar, uma obra muito preciosa.
A obra de dona Zilda Arns.
Ao contrário de você, Dona Zilda só fez construir.
Sua Pastoral da Criança está presente hoje em mais
de 20 países, trazendo esperança e futuro a milhares
de crianças.
E quer saber mais, terremoto bobo: se fosse concedido
a cada um o direito de escolher como deixar essa vida,
dona Zilda certamente teria escolhido esse mesmo:
Fazendo o bem a quem mais precisa.
Dedicando sua vida aos mais pobres.
Dedicando sua vida, enfim.
E se você se acha mesmo essa grandeza toda, espere
para ver a onda de solidariedade que vem aí.
De todo o mundo, virá ajuda, dinheiro, comida, remédios.
Prédios inteiros podem ter ruído, mas corações imensos
serão construídos.
Você pode ser grau 7 na escala Richter, mas na escala
Zilda Arns o mundo responderá com mais força.
Espere para ver.
Terremoto covarde.
Terremoto inútil.
Terremoto infeliz.
Que Santa Zilda Arns tenha compaixão de você.

Cássio Zanatta
Diretor de Criação da Africa

Retrospectiva

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By Sedentário e Hiperativo.

Preguiça

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Eu preciso falar que estou gostando muito de trabalhar na agência do Nizan. E quero dizer isso porque talvez eu não tenha mais o distanciamento necessário para poder discutir coisas sobre ele ou sobre as agências do grupo, que dizem por aí. Bom, mas também não sei se o faria, porque não faz muito meu tipo ser crítica, ainda mais de propaganda.
Tava hoje no Uol uma chamada dizendo que Nizan "ataca" Salvador. Se quiser, leia aqui.
Eu acho que as pessoas estão ficando muito chatas com essa mania de ser politicamente corretas. Qualquer hora um vai preso por fazer piada de português no elevador. Há que rir mais do mundo e de si mesmo e parar de enxergar todo comentário como ofensa. Principalmente os ditos no Twitter. Que preguiça disso...

PREGUIÇA BAIANA
Nizan Guanaes

Não gosto quando se referem à baianidade com o estereótipo da preguiça. Da falta de sofisticação.
Pierre Verger fotografou a Bahia, e os corpos que ele retratou são peitos, troncos e bundas enrijecidas pela história e pela vida dura.
São homens açoitados pela escravidão. A Bahia é graça, prazer, leveza, mas ela é também luta. O Brasil ficou independente com um grito em 1822. A Bahia teve que lutar, morrer e vencer para expulsar de vez os portugueses em 2 de julho de 1823.
Castro Alves, o maior poeta brasileiro, morreu aos 24 anos, deixando uma obra imensa. Ou seja, trabalhou muito para deixar tanto em um tempo tão curto de sua existência.
Todos os anos o povo da Bahia anda 12 quilômetros com potes de água na cabeça para lavar as escadarias de nosso pai, Oxalá.
No Carnaval baiano, enquanto milhões se divertem, milhares trabalham dia e noite cantando, tocando, vendendo, para que o nosso povo e gente de todo o mundo possam se divertir.
Além disso, quem construiu todas aquelas igrejas, aqueles fortes, monumentos? Nós. Quem colocou cada pedra no Pelourinho? Nós. Quem foi açoitado no tronco que deu ao Pelourinho seu nome? Nós. Quem escreveu músicas, filmes, encenou, pintou, esculpiu parte significativa da produção artística deste país?
Ano após ano, década após década? Nós, os baianos.
Joana Angélica, Maria Quitéria são ruas no Rio de Janeiro, mas na Bahia são sofrimento, luta e heroísmo.
A Bahia é luta, mas ela compreende que a vida não é só isso. E não é. E é por isso que essa tal Baianidade atrai em todas as férias e feriados estressados de todo o mundo.
Na costa da Bahia, o melhor conjunto de resorts do Brasil foi construído para que você possa experimentar o melhor da vida, e a gente trabalha enquanto você descansa.
O reitor Edgard Santos, baiano de boa cepa, fez uma das significativas obras de produção acadêmica e cultural, com contundente dedicação.
Lamento que a Bahia seja tão amada, tão exaltada e tão pouco compreendida.
Todos aqueles coqueiros e boa parte das frutas e especiarias que a Bahia tem não nasceram ali: vieram de outras índias e foram plantados pelas mãos calejadas do povo da Bahia.
Mas o mundo é de percepção. E, lamentavelmente, as novas gerações, por incompetência nossa, herdaram a parte mais vulgar, mais inculta, mais básica e folclórica desta baianidade.
Cabe a nós, os velhos, passarmos pela tradição oral, que é de fato Baianidade.
E lembrar a quem dança na Bahia que, enquanto ele dança, alguém toca. Que enquanto ele reza, alguém constrói igrejas.
Ou seja, na Bahia o trabalho é voltado para o lazer e encantamento do mundo.
E toda vez que você chegar estressado e branco e sair moreno e feliz, chegar descrente e sair otimista e apaixonado, nosso trabalho, nosso papel no mundo estará sendo cumprido.
Baianidade é enfrentar a dura vida de uma maneira que ela pareça menos dura e mais vida.
E para que exerçamos a plena Baianidade, é preciso que entendamos plenamente do que é que somos orgulhosos.
Sou orgulhoso da Bahia mãe de Menininha, Cleusa, Carmem, Stella, do grande Obarain e de Padre Sadock, Padre Luna e Irmã Dulce.
Sou orgulhoso da Bahia de Ruy Barbosa, Glauber, - estilos diversos da mesma paixão baiana que nasceu no 2 de julho.
Sou orgulhoso de Gil, Caetano, Bethânia, Gal, de Jorge, meu amigo amado.
Sou orgulhoso de Caribé, Verger, que não nasceram na Bahia, mas a Bahia nasceu deles.
Sou, enfim, orgulhoso dos filhos da Bahia. E por isso sou tão orgulhoso do Brasil.
O Brasil é o maior filho da Bahia. Ele nasceu lá no dia 22 de Abril de 1500 e é por isso que os brasileiros ficam tão felizes quando vão à Bahia. Porque eles estão, na realidade, visitando os parentes, revendo suas raízes.
Baianidade é enfim o DNA do Brasil, é o genoma do país.
Quando o Brasil vai à Bahia, ele volta para casa.
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