Bela Adormecida dos dias de hoje

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Quando nasci, 7 fadas vieram me ver enquanto mamãe e papai dormiam.
A primeira delas disse: terás um grande amor pelos animais. Gatos e cachorros conviverão juntos em sua casa e entre tapas e beijos todos se amarão.
A segunda: gostará de música e música boa. Dos clássicos ao rock n’ roll, passará de tudo pelo seu iPod, exceto axé, pagode, funk, sertanejo e essas tranqueiradas que insistem em chamar de som.
A terceira fada me avisou que eu seria bailarina, que gostaria de andar nas pontas, tentaria tocar o céu e que por causa disso dificilmente precisaria fazer terapia.
A quarta fada viria me falar que eu seria uma boa companhia pros amigos e para aqueles que se aproximassem de mim. Que eu saberia me doar a eles e que minha casa estaria sempre aberta para as pessoas certas.
A quinta fada disse que eu teria um dom nato com as palavras e com as línguas. Que saberia colocar no papel até mesmo as emoções que não soubesse transmitir.
A sexta fada, então, falou que eu beberia de todas as fontes, que me alimentaria de sabedoria e cultura, sabendo respeitar a todos sem nenhum julgamento e que de todos os lugares e povos eu poderia extrair o que há de melhor.
E então, pra acabar com toda essa palhaçada, chegou a sétima fada. A tal desgraçada que não havia sendo convidada para a festa. E ela sentenciou que não iria mudar nada disso, pois sua maldição era a pior de todas. Ela me disse que desde que eu me entendesse por gente iria questionar tudo e todos. Que eu seria confusa, complicada, teria mania de perfeição e duzentas dúvidas e conflitos internos por dia.
E foi essa maldita que mais saiu rindo dessa história.

A fada Carabosse, do Ballet da Austrália

A arte do desencontro

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Paixão é um estado, amor é um sentimento. Okay, sabemos disso desde que começamos a ler a Capricho. E isso já faz bastante tempo. Mas será que dá pra resgatar ou encontrar uma coisa na outra? Não sei, mas de Sex and the City até Desperate Housewives todas as mulheres (e os homens, mesmo que não queiram assumir) vivem em busca desse equilíbrio que torna a vida mais fácil, os dias mais interessantes, o outro mais bonito.
Eu defendo e talvez defenda sempre a teoria de que é possível viver apaixonado. Pra mim, o impossível, na verdade, é viver sem paixão. Eu preciso desse combustível do mesmo jeito que preciso de dança e música. Então não concordo que o que todo mundo procura é alguém com quem passar o resto da vida, mas alguém que coloque vida em todo o resto. O amor, daí, é conseqüência.
Nesse Dia dos Namorados, em que todo mundo provavelmente vai celebrar o amor, eu quero celebrar a paixão e pedir em meus pensamentos que todo casal saiba fazer com que ela nunca se acabe. Não tenho a fórmula, mas quem sabe um telefonema no meio da tarde, recadinhos no celular, bilhetinhos escondidos no bolso e que fazem a gente abrir um sorrisão no meio daquela reunião de trabalho... Saber fazer essas coisas permanecerem numa relação, e não somente no começo dela, sem forçar a barra e sem exagerar, é quase uma arte, e não deveria ser esquecido nunca. Então, namorados, exercitem a conquista todos os dias, porque matar um amor por falta de paixão é a coisa mais triste que pode existir.

ÉçeOÉçe

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Eu ainda não tinha visto, mas não ficou ótimo meu texto lá no PSV? E digo isso porque o site é bacana demais e os comentários idem. Valeu, pessoal do Portfólio Sem Vergonha!

Pão-Delícia (da Bahia) em São Paulo

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Ingredientes:

Massa:
1 kg de farinha de trigo sem fermento
1 embalagem de fermento seco (11 g)
1 xícara (chá) de açúcar
3 xícaras (chá) de leite morno (nunca quente pois estraga o fermento)
3 ovos
1 colher (sopa) de sal
1/2 xícara de óleo
1 colher (sopa) de manteiga

Para cobertura dos pãezinhos:
100 g de manteiga derretida
100 g de queijo parmesão ralado

Creme para rechear:
1 xícara (chá) de leite
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
1 gema
sal a gosto (pouco)
1 colher (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado
½ xícara (chá) de creme de leite

Modo de preparo:
Unte e esfarinhe 3 assadeiras retangulares grandes (36x45) e reserve.
Para a massa: numa vasilha coloque o fermento com a farinha e o açúcar (mexa para misturar e dar um pouco de ar e soltar a farinha) e coloque todos os ingredientes, deixando um pouco da farinha para o final.
Sove bem até obter uma massa elástica (no mixer ou batedeira bata por 10 minutos na velocidade 2). Se sua batedeira for de pouca potência, coloque pouca farinha porque senão esquenta muito o motor, e depois de 10 minutos termine sovando na mão, em cima de uma superfície limpa (pia).
Sove bem, pois o segredo está em sovar. Se não tiver batedeira, sove manualmente por 15 minutos.
Coloque a massa dentro de um plástico, e deixe dentro do armário por 30 minutos. Divida a massa em 60 partes (pode usar meia receita). A melhor maneira é dividi-la ao meio e ir dividindo até dar 60 pãezinhos.
Modele cada pãozinho com as mãos untadas em manteiga, em formato redondo (se souber bolear, melhor).
Coloque-as no tabuleiro preparado. Abafe novamente por 1’30’’. Pré-aqueça o forno a 200ºC e asse por uns 20 minutos (não deixe corar, ele é mais branquinho, o que dá mais maciez).

Para a cobertura: passe cada pãozinho na manteiga derretida com queijo ralado. Se quiser use a receita do recheio, que é original.

Para o recheio: numa panela coloque o leite, a farinha, a gema, o sal e a manteiga. Leve ao fogo mexendo bem até obter um creme suave. Apague o fogo e coloque o queijo parmesão e o creme de leite.

Se preferir, você pode pular todas essa etapas e clicar aqui.

Esmeralda

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Sempre quis dançar esse ballet, mas sabia muito pouco sobre a cigana Esmeralda, principalmente porque ainda não li a obra de Victor Hugo e me lembrava apenas do desenho animado O Corcunda de Notre-Dame. Mas como não tenho tido mais a visão Disney das coisas, fui procurar em outras fontes.

"Zangou-se o poeta Pierre Gringoire. Tentara inutilmente atrair um público para a sua peça em versos que representava nas arcadas do Palácio Real, que naquela época, na Paris medieval, ficava na Île de la Cité, mas ninguém queria ouvi-lo. Era Carnaval na França e uma turba alegre carregando nos ombros o corcunda Quasímodo, aclamado como papa dos loucos, foi quem atraia a atenção de todos. Haviam-no escolhido, contou Victor Hugo na sua novela Notre-Dame de Paris, num festival de caretas e espantaram-se quando constataram que a cara dele era aquela mesma, medonha, hedionda. Colocaram sobre o pobre diabo, que fazia as vezes de sineiro da catedral de Notre-Dame, uma tiara de papelão e saíram com ele erguido pelas ruas.

Em seguida, foram os gritos de 'Esmeralda', 'Esmeralda', que retiraram dele, de Gringoire, qualquer esperança que ele ainda guardava em receber uns trocados pela sua peça. Restou-lhe então seguir a farândola para a Place de Grève, na margem esquerda do rio Sena. Então tudo mudou. Lá, o povo tinha aberto uma boa clareira onde Esmeralda dançava e cantava. Era uma ciganinha de cor andaluza que, com seu pandeiro e sua voz, fascinava a platéia. Dominava a cena como ninguém. Logo Gringoire esqueceu-se do fracasso e deixou-se envolver pela magia daquela ninfa das ruas... tão estonteado ficou que, quando a garota passou com seu pandeiro recolhendo tostões, o poeta teria lhe dado um tesouro se tivesse."

"É uma cigana de vibração espiritual de muita luz e força. Cigana bela, andava sempre com uma cabra branca de mascote. Viveu em Portugal, Espanha e França. Adora tachos, facas e colher de pau, pois é protetora da fartura. É festeira, risonha, mandona, deve ser tratada com cuidado e amor.
Usa pandeiro enfeitado com fitas coloridas, tem olhos esverdeados. Suas forças em vida eram a justiça e a piedade. Gosta de bebida fina, frutas, doces variados; sua lua é cheia, e o dia é domingo. Adora dançar com seu pandeiro, usa uma tiara com pedras verdes e moedas."



"Dava-se na sua voz o mesmo que na sua dança... Era indefinível, era encantador; o quer que fosse de puro e de sonoro, de aéreo, por assim dizer, de alado (...)
Dir-se-ia umas vezes uma louca; outras, uma rainha (...), respirava sobretudo alegria e parecia cantá-la como a ave, serena e descuidada."


Victor Hugo, descrevendo a cigana Esmeralda (Notre-Dame de Paris, 1831)

Must love dogs

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Costumo esperar mais da vida do que ela realmente pode me dar, lido assim com as pessoas também e não tenho medo da frustração. Choro e faço manha quando sinto que o mundo pende mais para um lado, quando estou de TPM ou quando não recebo flores pela manhã.
Sou capaz de me doar por inteiro, mas cometo atrocidades por nada. Minha imaginação é irritantemente fértil. Organizo festas-surpresa, cuido de doentes, posso ser personal trainer e stylist, faço massagens, sou terapia, sou cultura. Gosto de jazz, blues e rock n’ roll, faço milagres na cozinha usando um pouco de criatividade e o mínimo de tempero. Passaria a vida decorando a casa, dando aula de ballet, viajando e namorando. Adoro um bom vinho e assuntos variados, mesmo que não me digam respeito (principalmente esses). Penso que ficar sozinha ou com minhas amigas às vezes é melhor que enfrentar fila em balada. Mas isso pode mudar conforme a lua. Sou partidária do rosa, do lilás e muito do preto. Sou família, sou ceia de Natal. Sou geniosa, teimosa, sagitariana e faço pelo menos uma besteira por dia. É pegar ou largar.

Eu te amo

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Eros, Philia, Agape, Storgé. Os quatro amores gregos que usamos no convite do nosso casamento e que agora eu quero tatuar na pele. Um mundo de sonhos que sonhamos juntos. Viagens e lugares só nossos. Cachorro e gato dividindo um apartamento. A primeira vez em que você se ajoelhou a meus pés, numa madrugada lá na cidade dos três esses que eu aposto que nem você se lembra, e que eu soube que iríamos nos casar. No curto espaço de tempo em que não ficamos juntos, na rua, na chuva, na fazenda vendo um OVNI, na Route 66, com você enfiando a cara no trabalho e eu no ballet, em todos os cantos da casa, em cada segundo que me lembrar e ter medo de ficar sozinha, você indo pro seu lado, eu indo pro meu, eu sei que vou te amar.

Uma vida para a dança

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Morreu ontem, aos 81 anos, o primeiro professor de ballet que tive quando me mudei para São Paulo. Ismael Guiser foi professor da minha mãe também, na época do Ballet do Quarto Centenário, que trouxe esse argentino como solista para São Paulo que aqui fundaria sua escola, tendo sido uma das figuras mais atuantes no mundo da dança dos últimos tempos.
Em qualquer festival, em qualquer audição, lá estava ele, olhinhos atentos, cara fechada. Mas só nesses momentos. Nas suas aulas eu gostava de rir por dentro das brincadeiras feitas com qualquer um, dos primeiros-bailarinos, às novatas que entravam com medo em sua sala espaçosa, pianista sempre a postos, o professor não deixando passar uma piscadela fora do lugar.
Quando eu soube da notícia, ontem à noite, tinha acabado de dançar e ganhar o primeiro lugar em um concurso de ballet. Mas no lugar de tanta alegria ficou um suspiro profundo, certamente compartilhado por gerações e gerações de bailarinos que aprenderam muito com o mestre Ismael.

A voz do silêncio

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Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
"Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!"

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há e-mails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.

Esmeralda

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É nisso que me transformo depois da meia-noite.